Home / Política / Fachin estuda adotar código de conduta para ministros do STF baseado em modelo alemão

Fachin estuda adotar código de conduta para ministros do STF baseado em modelo alemão

ocrente 1765407878
Spread the love

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, trabalha na elaboração de um código de conduta para os ministros das cortes superiores brasileiras. A iniciativa, em discussão desde antes de sua posse na Presidência do STF, tem como principal referência o manual ético da Corte Constitucional da Alemanha, que impõe limites claros de neutralidade e transparência aos magistrados.

Diálogo entre tribunais e estudos técnicos

Segundo a assessoria do tribunal, Fachin mantém conversas com os presidentes das demais cortes superiores para estabelecer diretrizes comuns. Entre os materiais analisados está o estudo “A Responsabilidade pela Última Palavra”, produzido pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, que reúne sugestões alinhadas às boas práticas adotadas em democracias consolidadas, incluindo o modelo alemão.

Pontos centrais do código alemão

O manual da Suprema Corte alemã determina que seus juízes conduzam vida pública e privada sem comprometer a reputação do tribunal. Entre as regras estão:

  • independência de interesses políticos, sociais ou pessoais;
  • evitar atitudes que coloquem em dúvida a imparcialidade;
  • críticas a decisões de outros tribunais somente com reserva;
  • dever de confidencialidade mesmo após o fim do mandato;
  • presença constante na Corte para garantir celeridade processual;
  • restrições a presentes, benefícios e consultorias;
  • proibição de manifestações sobre processos pendentes;
  • limites a atividades externas remuneradas, que devem ser declaradas;
  • vedação, por um ano após deixar o cargo, a consultorias em áreas em que atuaram.

Influência do recente código da Suprema Corte dos EUA

Outros estudos enviados ao STF também citam o código de conduta da Suprema Corte dos Estados Unidos, formalizado em 2023. O documento norte-americano consolida regras sobre integridade, conflitos de interesse, comunicação pública e atividades externas, proibindo, por exemplo, que juízes participem de eventos partidários ou comentem processos em andamento.

Contexto no Brasil

A discussão no STF ocorre em meio a críticas de juristas ao comportamento de ministros em entrevistas e eventos quando ainda há processos sob análise da Corte. O objetivo de Fachin é estabelecer parâmetros semelhantes aos de outras democracias para reforçar a confiança pública no Judiciário brasileiro.

Com informações de Gazeta do Povo