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Brasil não exigirá saída de Maduro, afirma Celso Amorim

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Brasília, 8 dez. 2025 – O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, declarou ao jornal britânico The Guardian que o Brasil não fará qualquer pressão para que Nicolás Maduro deixe o governo da Venezuela.

Segundo Amorim, a decisão sobre uma eventual renúncia cabe exclusivamente ao líder venezuelano. “Se Maduro chegar à conclusão de que deixar o poder é o melhor para ele e para a Venezuela, será uma conclusão dele… O Brasil jamais imporá isso”, afirmou.

Contexto de tensão com os EUA

O posicionamento acontece em meio ao aumento da pressão internacional sobre Caracas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas operações contra o narcotráfico no Mar do Caribe e no Pacífico, que já resultaram em mais de 80 mortes. A agência Reuters informou que Trump teria dado a Maduro, em novembro, prazo de uma semana para abandonar o país – ultimato que não foi atendido.

Mais recentemente, Trump declarou que o espaço aéreo venezuelano deve ser considerado totalmente fechado, medida que Amorim classificou como “equivalente a um ato de guerra”.

Risco de “novo Vietnã”

Para o ex-chanceler brasileiro, uma intervenção militar dos EUA transformaria a América do Sul em zona de conflito. “Se houvesse uma invasão de verdade, sem dúvida veríamos algo semelhante ao Vietnã”, advertiu, acrescentando que outros países poderiam se unir à Venezuela para repelir a ação.

Possível asilo

Questionado sobre a hipótese de o Brasil conceder asilo a Maduro, Amorim preferiu não especular para “não parecer incentivo”. No entanto, lembrou precedentes, como a acolhida do ex-presidente equatoriano Lúcio Gutiérrez, em 2005, e do ditador paraguaio Alfredo Stroessner, em 1989.

Amorim também ressaltou que, se cada eleição contestada resultasse em invasão, “o mundo estaria em chamas”, numa referência à votação de 2024 que manteve Maduro no cargo sob forte suspeita de fraude.

O assessor encerrou reiterando que o governo brasileiro buscará evitar qualquer escalada militar no continente.

Com informações de Gazeta do Povo