O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar o montante de emendas impositivas aprovado pelo Congresso Nacional. Nesta quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, ele classificou o volume — R$ 50 bilhões em 2025 — como um “sequestro” de 50 % do Orçamento da União e afirmou que a prática só será revista “quando os eleitores mudarem seus votos”.
Lula falou durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o “Conselhão”, em Brasília. Segundo o presidente, 65 % dessas emendas terão pagamento obrigatório já no primeiro semestre de 2026, antes do período eleitoral.
“Eu, sinceramente, não concordo com as emendas impositivas”, declarou. “Mas você só vai acabar com isso quando mudar as pessoas que governam e as pessoas que aprovaram isso.”
Tensão entre Planalto e Legislativo
A crítica ocorre em meio a uma crise entre Executivo e Legislativo. Parte do atrito envolve a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, decisão que desagrada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Apesar das divergências, Lula negou conflitos com o Congresso. “A gente não tem”, disse, referindo-se a problemas com deputados e senadores.
Derrubada de vetos
Na última semana, parlamentares derrubaram quase todos os vetos presidenciais à Lei do Licenciamento Ambiental. Lula contestou a manobra: “Não vetamos porque não gostamos do agronegócio; vetamos para proteger o agronegócio. Essa mesma gente que derrubou meus vetos, quando a China ou a Europa pararem de comprar soja ou algodão, vai vir falar comigo.”
Outros focos de desgaste
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também se afastou do governo após o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) ser escolhido relator do projeto de combate a facções criminosas, de autoria do Ministério da Justiça. Em consequência, Motta e Alcolumbre romperam relação com os líderes governistas Lindbergh Farias (PT-RJ) e Jaques Wagner (PT-BA).
Em outra derrota para o Planalto, o Senado aprovou uma pauta-bomba que acrescentará R$ 20 bilhões em despesas não previstas ao longo de dez anos.
As declarações de Lula reforçam o clima de disputa sobre o controle do Orçamento federal e evidenciam a tensão política às vésperas do próximo ano eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo