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Máfias internacionais transformam principal aeroporto do Peru em rota de passaportes falsos e drogas

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Lima, 03/12/2025 – O governo peruano decretou estado de emergência na fronteira com o Chile diante de ameaças à segurança nacional, mas o problema da criminalidade ultrapassa a faixa territorial. Uma investigação do programa de TV peruano Panorama apontou que o Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Callao, tornou-se peça central para redes internacionais que falsificam documentos e enviam drogas e imigrantes ilegais à Europa.

Segundo o levantamento, criminosos estrangeiros aproveitam-se da dispensa de visto que o Peru mantém com o Espaço Schengen — bloco de mais de 20 países europeus — para tentar entrar no continente com passaportes peruanos falsificados. De acordo com autoridades de imigração, a obtenção desses documentos é considerada simples: “Você chega, paga o valor exigido, eles entregam o passaporte peruano falso e você atravessa o Atlântico”, relatou um oficial ouvido pelo programa. Os compradores chegam a receber treinamento para entrevistas nos postos de controle.

Mudança de rota após restrições nos EUA

Antes das barreiras migratórias impostas pelo então presidente norte-americano Donald Trump, os Estados Unidos eram o principal destino das quadrilhas. Com as novas restrições, o foco deslocou-se para a Europa, onde o controle de visto é mais brando para portadores de documento peruano.

Casos recentes expõem esquema

Entre os episódios mais recentes, cidadãos dominicanos tentaram embarcar para Madri com cartões de residência espanhóis falsificados no Peru. Um boliviano foi preso depois de pagar cerca de 13 mil pelas passagens aéreas e outros 34 mil pela papelada irregular. Outra boliviana carregava uma carteira de habilitação da Irlanda produzida em território peruano, enquanto uma família equatoriana foi flagrada com documentos peruanos adulterados, remetidos por serviço de entrega vinculado supostamente à Turquia.

Colaboração interna facilita narcotráfico

Reportagem do jornal Punto Final, publicada em outubro, revelou que o mesmo aeroporto abriga um esquema de narcotráfico com apoio de agentes da própria polícia instalada no terminal. Pelo menos dois policiais estariam envolvidos; um deles integrava o grupo de inteligência Lleta, criado com financiamento do Reino Unido para reforçar o combate às drogas no Jorge Chávez.

As organizações infiltraram-se na unidade policial encarregada de identificar passageiros suspeitos e conduzi-los a interrogatório, facilitando a passagem de entorpecentes rumo à Europa. O envolvimento direto de agentes de segurança, segundo as investigações, permitiu que carregamentos ilegais escapassem dos sistemas de controle, considerados entre os mais avançados do país.

O estado de emergência e a militarização da fronteira com o Chile, anunciados pelo presidente José Jeri, incluem medidas mais rígidas de fiscalização, mas autoridades admitem que o desafio agora é impedir que o principal ponto de entrada e saída aérea do Peru continue servindo de plataforma para máfias globais.

Com informações de Gazeta do Povo