Caracas, 30 nov. 2025 – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou na noite de sábado (29) a criação de um plano especial para repatriar cidadãos que ficaram impossibilitados de retornar ao país depois que diversas companhias aéreas cancelaram voos, informou a vice-presidente Delcy Rodríguez.
Em mensagem publicada no Telegram, Rodríguez afirmou que a iniciativa também pretende “facilitar rotas de saída” para venezuelanos que necessitem viajar ao exterior. Detalhes sobre a execução do plano não foram divulgados.
A vice-presidente declarou que Caracas “ativou todos os mecanismos multilaterais previstos no direito internacional” para reverter o que classificou como uma “ação ilegítima e ilícita”. Segundo ela, o governo dos Estados Unidos atendeu a um pedido da opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025 e atualmente em paradeiro desconhecido, para tentar bloquear o espaço aéreo venezuelano.
Também no sábado, o presidente norte-americano, Donald Trump, publicou na rede Truth Social um alerta a companhias aéreas, pilotos, narcotraficantes e traficantes de pessoas para que tratem o espaço aéreo sobre a Venezuela e o sul do Caribe como “totalmente fechado”. A mensagem não trouxe detalhes sobre possíveis restrições oficiais.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores venezuelano acusou Washington de fazer uma “ameaça explícita de uso da força”, prática proibida pela Carta das Nações Unidas, e considerou a advertência uma tentativa de intimidação.
O pronunciamento de Trump veio um dia depois de o jornal The New York Times noticiar uma suposta conversa telefônica entre ele e Maduro para discutir um encontro; nem Caracas nem Washington confirmaram o diálogo.
Alertas da FAA e impacto nas rotas
Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos recomendou “extrema cautela” a aeronaves que sobrevoem a Venezuela e o sul do Caribe, citando possível risco à segurança. Após o aviso, empresas como Iberia, Plus Ultra, Air Europa, Avianca e Turkish Airlines suspenderam operações no país.
Diante da paralisação, o governo venezuelano concedeu 48 horas para a retomada dos voos. Com o prazo expirado, foram revogadas as licenças de tráfego de Iberia, Turkish Airlines, Gol, Avianca, TAP e Latam Colombia. Continuam voando para a Venezuela Copa, Wingo, Boliviana de Aviación, Satena, além das venezuelanas Avior e Conviasa (estatal).
O plano de repatriação ainda não tem data para começar nem logística definida, mas a vice-presidente assegurou que o governo “garantirá o direito de mobilidade dos cidadãos venezuelanos”.
Com informações de Gazeta do Povo