A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, confirmou nesta sexta-feira (28) que o Exército dos Estados Unidos está instalando um novo sistema de radar na ilha de Tobago, próxima à costa da Venezuela.
De acordo com a chefe de governo, o equipamento será utilizado para monitorar atividades dentro e fora do território trinitário e reforçar a vigilância contra o tráfico de drogas em águas nacionais. Persad-Bissessar também informou que militares norte-americanos continuam no país auxiliando na modernização do aeroporto local e em ações de patrulhamento, apesar de ter declarado, na quarta-feira (26), que os fuzileiros já haviam deixado o arquipélago.
A confirmação ocorreu após moradores relatarem a presença de fuzileiros navais dos EUA em um hotel de Tobago e plataformas de rastreamento identificarem o pouso de aeronaves militares no Aeroporto Internacional ANR Robinson.
Treinamento conjunto
Cerca de 350 militares da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos participaram de exercícios com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago entre 16 e 21 de novembro. Um mês antes, o destróier USS Gravely atracou no arquipélago para manobras semelhantes.
Na última terça-feira (25), Persad-Bissessar reuniu-se com o chefe do Estado-Maior dos EUA, Dan Caine, para discutir desafios de segurança regional e atuação de organizações criminosas transnacionais. No dia seguinte, ela assegurou que Washington não solicitou o uso de território trinitário como base para eventuais ações militares contra a Venezuela.
Reação de Caracas
Os exercícios bilaterais intensificaram a tensão com o governo venezuelano. O presidente Nicolás Maduro convocou moradores de seis estados do leste do país para vigílias e marchas permanentes, alegando ameaça de invasão. O regime chavista suspendeu um acordo energético com Trinidad e Tobago e declarou Persad-Bissessar persona non grata.
Na quinta-feira (27), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que tropas americanas iniciarão “em breve” operações terrestres contra cartéis de drogas venezuelanos, após ofensiva marítima no Caribe e no Pacífico que, segundo Washington, resultou em 21 ataques a 22 embarcações e 83 mortes desde o início da operação.
Caracas afirma que as ações norte-americanas servem de pretexto para destituir Maduro do poder.
Com informações de Gazeta do Povo