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STF mantém prisão de Bolsonaro, mira aliados e acirra tensão com Congresso

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Brasília — 27/11/2025. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade manter a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes sob alegação de risco de fuga após uma vigília de apoiadores. O ato foi associado pelo magistrado à possibilidade de repetição dos eventos de 8 de janeiro.

Avanço sobre o entorno do ex-presidente

Na mesma ofensiva, Moraes decretou a perda do mandato do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e concluiu julgamento que tornou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu. O ministro também deu 24 horas para a defesa de Bolsonaro esclarecer o uso de um celular pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante visita ao ex-chefe do Executivo; Nikolas classificou a exigência como “teatro”.

Bolsonaro e integrantes do chamado “Núcleo 1” passaram por audiência de custódia. A defesa apresentou habeas corpus pedindo o fim das restrições de comunicação impostas ao ex-presidente. Comparações foram feitas entre o rigor da medida e a prisão do então ex-presidente Lula em 2018.

Reação política e militar

Um dia após as detenções, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar “feliz” com o resultado das operações. Em sentido oposto, clubes militares classificaram as prisões de oficiais como “injustas” e o general Augusto Heleno, detido na ação, revelou ser portador de Alzheimer. Mesmo preso, Bolsonaro segue apontado por apoiadores como principal cabo eleitoral da direita para 2026.

Indicação de Jorge Messias ao STF em xeque

A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no STF pode ser adiada, segundo o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Messias afirmou que buscará apoio individualmente entre os senadores. Paralelamente, o deputado Kim Kataguiri (União-SP) acionou o Supremo contra o indicado por suposta omissão em fraudes no INSS. Alcolumbre negou que a possibilidade de adiamento configure retaliação ao Planalto.

Conflito entre Planalto e Congresso

O governo Lula ameaçou recorrer ao STF para barrar “pautas-bomba” em tramitação no Legislativo e apelou aos parlamentares pela manutenção de vetos presidenciais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou ruptura e descreveu o momento como “estremecimento momentâneo”. A tensão ficou evidente quando Lula sancionou a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil sem a presença dos presidentes da Câmara e do Senado. Pouco depois, Alcolumbre pautou vetos que podem vir a ser derrubados.

Movimentações da oposição

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou acreditar em uma “reorganização da direita” para “livrar o Brasil do PT” nas próximas eleições. No Congresso, representantes da bancada ruralista acusaram o governo de crime após novas demarcações de terras indígenas e convocaram o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para prestar esclarecimentos. Já o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), voltou a criticar decisões do STF que restringem operações policiais em favelas.

As decisões judiciais contra Bolsonaro e a mobilização política em torno do Supremo mantêm o cenário institucional em ebulição enquanto avançam processos, indicações e disputas entre os Poderes.

Com informações de Gazeta do Povo