Brasília — As principais centrais sindicais brasileiras prometem ocupar as sedes do Banco Central (BC) em todo o país em 9 de dezembro, data que marca o início da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O objetivo é pressionar a autoridade monetária a reduzir a taxa básica de juros, mantida em 15% ao ano.
O protesto foi anunciado nesta quarta-feira (26) pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre. “Vamos estar na porta do Banco Central para exigir a imediata queda da taxa de juros. Existe um descompasso enorme entre o juro praticado e a inflação”, afirmou.
Críticas a Galípolo
A decisão do Copom de manter a Selic em 15% na última reunião intensificou as críticas do governo federal ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado ao cargo pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também declarou que o dirigente “deixou a desejar” ao não reduzir os juros.
Haddad, por sua vez, disse à CNN Brasil que “há espaço para corte”, ressaltando que não se sustenta “10% de juro real com inflação a 4,5%”.
Anúncio diante de Lula
Sérgio Nobre formalizou a convocação do ato durante cerimônia no Palácio do Planalto, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Na ocasião, o dirigente classificou a taxa de 15% como “escorchante” e reiterou que a mobilização pretende “parar a sabotagem ao crescimento do país e à geração de empregos”.
A expectativa do mercado é de manutenção da Selic na reunião de dezembro. Caso o comitê volte a optar pela estabilidade, o partido do governo avalia maneiras de administrar o crescente descontentamento interno com Galípolo — chamado por Lula de “menino de ouro” antes de assumir a presidência do BC.
Com informações de Gazeta do Povo