O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar na mesa a ideia de que a Ucrânia entregue parte de seu território à Rússia para encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022. Um rascunho de 28 pontos com a proposta norte-americana foi oficialmente entregue ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, nesta quinta-feira, 20 de novembro de 2025.
Segundo a CNN, o documento prevê que Kiev ceda toda a região do Donbass — apesar de 11% da área ainda estar sob controle ucraniano —, reduza o efetivo de suas Forças Armadas e abra mão de armamentos de grande poder de fogo fornecidos por aliados desde o início do conflito.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que o texto favoreça Moscou. “É um bom plano tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia, e acreditamos que deva ser aceitável para ambos os lados. Estamos trabalhando arduamente para concretizá-lo”, afirmou em coletiva.
Em comunicado publicado no Telegram, o gabinete de Zelensky confirmou o recebimento do rascunho. O presidente ucraniano pretende discutir “oportunidades diplomáticas” com Trump nos próximos dias.
Reações internas
A possibilidade de conceder o Donbass gerou preocupação dentro da Ucrânia. Olena Hubanova, codiretora da ONG Helping to Leave, que auxilia deslocados pela guerra, classificou a ideia como “desastrosa” para os habitantes da região. “A Ucrânia não é apenas território. A Ucrânia é povo”, declarou ao Kyiv Independent.
Descontentamento na Europa
O fato de Washington ter encaminhado o plano diretamente a Moscou, sem consultar parceiros europeus, causou mal-estar na União Europeia. A alta representante para Relações Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, ressaltou que qualquer acordo precisa do aval de Kiev e do bloco. “Nossa posição não mudou. Se a Rússia realmente quisesse a paz, teria aceitado o cessar-fogo incondicional já em março”, afirmou.
Em Paris, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, rejeitou a ideia de que a paz signifique rendição ucraniana. “Não queremos a capitulação da Ucrânia”, declarou.
No Vaticano, o cardeal-secretário de Estado Pietro Parolin defendeu a participação europeia nas negociações: “A Europa deve fazer ouvir a sua voz e não permanecer excluída”.
Conflito em curso
Enquanto a diplomacia se movimenta, ataques continuam ocorrendo. Nesta quinta-feira, um bombardeio russo a um prédio residencial em Ternopil, no oeste da Ucrânia, deixou ao menos 26 mortos, segundo autoridades locais.
Com informações de Gazeta do Povo