Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou, na tarde desta quinta-feira, 20 de novembro de 2025, o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A nomeação, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, preenche a vaga aberta pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A efetivação de Messias depende de sabatina e aprovação do Senado, que exige maioria simples de 41 votos em plenário após análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Repercussão imediata
Nas redes sociais, Messias afirmou sentir-se “honrado” com a escolha. “Agradeço a confiança e, se aprovado, retribuirei com dedicação, integridade e zelo institucional”, escreveu.
Lula declarou ter “certeza de que Messias seguirá defendendo a Constituição e o Estado Democrático de Direito no STF, como fez em toda sua vida pública”.
Disputa interna e cenário político
Considerado nome de confiança do Planalto, o atual AGU superou outros cotados, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas. A preferência por Messias desagradou parte do Congresso; o senador Davi Alcolumbre (União-AP) disse que “gostaria de fazer a indicação” caso pudesse.
A recente recondução apertada de Paulo Gonet à Procuradoria-Geral da República — aprovado por 45 votos a 26, apenas quatro acima do mínimo — sinaliza possível resistência também ao novo indicado.
Pressão por representatividade
Messias é o terceiro nome sugerido por Lula ao STF em seu terceiro mandato, após Cristiano Zanin e Flávio Dino. Movimentos identitários pressionavam por uma mulher na Corte; para amenizar críticas, o governo cogita indicar uma mulher à chefia da Advocacia-Geral da União. Entre os nomes ventilados estão Anelize Almeida (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), Clarice Calixto (Procuradoria-Geral da União) e Isadora Cartaxo (Secretaria-Geral de Contencioso).
Perfil do indicado
Aos 45 anos, Messias poderá permanecer no STF até completar 75, idade da aposentadoria compulsória. Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, ele assumiu a AGU em 1º de janeiro de 2023 e tornou-se ponte do governo com o eleitorado evangélico — é membro da Igreja Batista.
Graduado em Direito pela UFPE, mestre e doutor pela Universidade de Brasília, foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência no governo Dilma Rousseff, período em que ficou conhecido como “Bessias” após aparecer em gravação telefônica com Lula.
Defensor da regulação das redes sociais, criou a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), responsável por ações contra desinformação, incluindo pedidos de remoção de conteúdos considerados falsos sobre a primeira-dama Janja Lula da Silva.
Messias é casado e pai de dois filhos.
Com informações de Gazeta do Povo