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Maduro entoa “Imagine” em ato em Caracas e apela por paz com os EUA

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, cantou a canção pacifista “Imagine”, de John Lennon, neste sábado (15) durante um evento em Caracas. Ao entoar o clássico, o líder venezuelano pediu “paz” aos Estados Unidos e acusou a Casa Branca de planejar “bombardear e invadir” o país sul-americano.

“Viva a paz! Que canção tão bela!”, exclamou Maduro após a apresentação, convidando o público a balançar os braços e fazer o símbolo da paz. Segundo ele, a letra escrita por Lennon “é uma inspiração para todos os tempos”.

Mobilização interna e críticas a Washington

No mesmo ato, o chefe de Estado comandou a cerimônia de juramentação dos Comitês Bolivarianos de Base Integral (CBBI), grupos instalados em ruas e comunidades que, segundo o governo, devem “defender a pátria de qualquer ameaça” externa. Maduro também declarou, “em nome de Deus Pai Todo-Poderoso”, a paz para a Venezuela, o Caribe e a América do Sul.

A Venezuela está há três meses em mobilização permanente, sobretudo de caráter militar, alegando risco de agressão dos Estados Unidos. Desde agosto, Washington mantém navios e aeronaves no Caribe, perto do território venezuelano.

Na sexta-feira (14), o Pentágono lançou a operação “Lança do Sul”, voltada ao combate ao narcotráfico na região. Para Caracas, a iniciativa é parte de uma estratégia norte-americana para “semear um conflito”. Também na sexta, o ex-presidente Donald Trump afirmou ter tomado uma decisão sobre eventual ação militar contra a Venezuela, sem revelar detalhes. A declaração ocorreu após o jornal The Washington Post noticiar uma reunião entre Trump, o secretário de Guerra Pete Hegseth e oficiais do Pentágono para discutir opções sobre o tema.

Denúncias de violações de direitos humanos

Enquanto prega paz no exterior, o governo venezuelano enfrenta acusações de graves abusos internos. Uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu, em 2024, que crimes contra a humanidade foram cometidos entre 1.º de setembro de 2023 e 31 de agosto de 2024. O relatório cita detenções arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e violência sexual como parte de um plano para silenciar opositores.

Outro documento, divulgado em 2023 pela Seção de Participação e Reparação das Vítimas (VPRS) do Tribunal Penal Internacional (TPI), detalha relatos de choques elétricos em genitálias, estupros e espancamentos praticados por agentes estatais. “Meus testículos foram eletrocutados”, declarou uma vítima anônima.

O Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) apontou que 71,4% dos casos de tortura registrados em 2022 envolveram o Corpo de Investigação Científica, Penal e Criminalística (CICPC). Entre 2017 e 2023, apenas 358 servidores foram condenados por violações, diante de mais de 17.943 vítimas registradas.

As denúncias incluem ameaças de morte, espancamentos, insultos, tentativas de crucificação e maus-tratos a familiares para obter confissões. “Eles maltrataram minha família para me fazer sofrer”, relatou um ex-preso político citado pelo TPI.

Maduro não comentou os relatórios durante o evento em que cantou “Imagine”.

Com informações de Gazeta do Povo