Uma criança brasileira de nove anos teve parte de dois dedos amputados após ser ferida por colegas dentro da Escola Básica de Fonte Coberta, em Cinfães, distrito de Viseu, a cerca de 130 km do Porto, Portugal. O episódio ocorreu na última segunda-feira, 10 de novembro, e só veio a público depois de a mãe relatar o caso nas redes sociais.
De acordo com Nívia Estevam, 27 anos, natural de Belém e residente há sete anos em Portugal, o filho acabava de entrar no banheiro quando dois estudantes empurraram a porta contra a mão dele, pressionando até amputar a primeira falange do dedo indicador e do dedo médio.
Atendimento demorou meia hora
Cerca de 1h30 após a entrada do menino na escola, a professora Sara Costa telefonou para a mãe afirmando que o aluno “prendeu o dedo na porta” enquanto brincava. Durante a ligação, Nívia ouviu alguém pedir que chamassem uma ambulância e correu até o colégio, localizado a menos de cinco minutos de sua casa.
Ela encontrou o filho gritando de dor, com a mão enrolada em bandagens e um pano na boca para morder. Os bombeiros chegaram aproximadamente 30 minutos depois. Um funcionário havia guardado um dos fragmentos dos dedos e o entregou aos socorristas.
Cirurgia e perda parcial dos dedos
O menino foi levado a um hospital, onde passou por cirurgia de três horas. Os médicos informaram que não seria possível reimplantar os dedos, mas utilizaram parte de um deles para cobrir a área com osso exposto. Ele ficou internado por um dia.
Investigação e acusações de omissão
O próprio hospital acionou a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, que abriu investigação. A mãe afirma que já havia denunciado outros episódios de agressão – incluindo puxões de cabelo, chutes, enforcamento e marcas no pescoço – sem que a escola tomasse providências.
Segundo Nívia, representantes do colégio insistem que o ferimento foi “acidental”. Ao procurar a polícia local, ela ouviu a mesma versão. Uma assistente social teria sugerido que a família mudasse de cidade.
Repercussão nas redes e mudança de cidade
Diante da demora por respostas, a mãe publicou o relato em seu perfil no Instagram, o que gerou grande repercussão. Temendo novos ataques, ela se mudou para a casa dos sogros em outra localidade.
Em nota, o Agrupamento de Escolas de Souselo informou ter conhecimento do caso e instaurou processo interno. A família não recebeu, até o momento, apoio oficial do governo brasileiro, segundo relatos de parentes à imprensa.
O menino apresenta crises de choro ao lembrar da agressão. A mãe acredita que ele foi alvo por ser “brasileiro, preto e gordo”.
Com informações de Gazeta do Povo