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Inadimplência rural alcança recorde de 8,1% no 2º trimestre de 2025, aponta Serasa

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Brasília – A parcela da população rural brasileira com dívidas em atraso há mais de 180 dias subiu para 8,1% no segundo trimestre de 2025, o maior nível desde o início da série histórica da Serasa Experian, em 2022.

Evolução do índice

O indicador avançou 0,3 ponto percentual em relação aos três primeiros meses do ano e 1,1 ponto na comparação anual. A trajetória recente é a seguinte:

• 2º tri/2024: 7,0%
• 3º tri/2024: 7,4%
• 4º tri/2024: 7,4%
• 1º tri/2025: 7,8%
• 2º tri/2025: 8,1%

Principais motivos

Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, custos de produção elevados, oscilações nos preços das commodities e encarecimento do crédito pressionam o caixa dos produtores. Ele destaca a necessidade de monitoramento de risco para evitar excesso de alavancagem.

Metodologia do estudo

O levantamento considera dívidas de R$ 1 mil a R$ 5 anos vencidas há pelo menos 180 dias, contraídas junto a:

• Instituições financeiras (bancos, cooperativas e fundos)
• Setor Agro (agroindústrias, revendas de insumos, máquinas e serviços)
• Outros setores relacionados (seguradoras, transporte, armazenamento, utilities, varejo e telecom)

Foram analisados 10,5 milhões de pessoas físicas com registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR), Cadastro Federal de Imóveis Rurais (Cafir), Cadastro Positivo ou Sintegra.

Quem mais atrasa

Produtores sem registro formal, classificados como arrendatários ou ligados a grupos familiares, concentram a maior taxa de inadimplência, 10,5%. Em seguida aparecem:

• Grandes proprietários: 9,2%
• Médios: 7,8%
• Pequenos: 7,6%

Desigualdade regional

O Rio Grande do Sul exibe o menor índice (4,9%), enquanto o Amapá lidera a lista com 19,5%. Outros destaques:

Santa Catarina: 5,6% | Paraná: 5,7% | São Paulo: 6,7% | Mato Grosso: 10,1% | Amazonas: 13,9%

Fontes de crédito

• Instituições financeiras: 7,2% de inadimplência
• Setor Agro: 0,3%
• Outros setores relacionados: 0,1%

Quando o financiamento vem diretamente da cadeia agroindustrial, o índice é praticamente nulo, observa a Serasa.

Impacto nos bancos públicos

No Banco do Brasil, a inadimplência acima de 90 dias no agro subiu de 3% no primeiro semestre de 2023 para 4,21% no mesmo período de 2025, reduzindo o lucro ajustado em 60% na comparação anual. Na Caixa Econômica Federal, o indicador saltou de 4,3% para 7,02% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, motivando restrição de crédito.

Os presidentes das duas instituições atribuem parte do aumento a “situações oportunistas” que estariam estimulando pedidos de recuperação judicial por produtores.

Os bancos acreditam que o pico da inadimplência já foi alcançado e preveem recuo a partir do primeiro semestre de 2026, impulsionado por programas de renegociação de dívidas.

Com informações de Gazeta do Povo