No fim da noite de domingo, 9 de novembro de 2025, o Senado dos Estados Unidos atingiu os 60 votos necessários para avançar com um projeto de lei que libera recursos emergenciais e pode pôr fim à paralisação recorde de 40 dias do governo federal.
O placar só foi alcançado depois que sete senadores democratas e o independente Angus King, que costuma votar com a sigla, decidiram romper a orientação partidária e apoiar a proposta republicana de estender o orçamento até 30 de janeiro. O texto prevê o pagamento imediato e retroativo a mais de 650 mil servidores sem salário desde setembro, além de financiar os departamentos de Agricultura, Assuntos de Veteranos e outras agências pelo mesmo período.
Durante as negociações, os republicanos prometeram colocar em votação, em dezembro, a prorrogação dos subsídios da Lei de Cuidados Acessíveis (Obamacare), cuja expiração havia se tornado o principal impasse para o acordo orçamentário. Mesmo assim, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, votou contra e acusou o presidente Donald Trump de manter famílias, veteranos, idosos e crianças como “reféns” ao suspender a assistência alimentar durante o shutdown.
A proposta ainda precisa ser confirmada em novas votações na própria Casa e, em seguida, submetida à Câmara dos Representantes, onde também há divisões. O líder democrata Hakeem Jeffries anunciou voto contrário, acompanhado pelo presidente do caucus democrata, Pete Aguilar, que argumenta que o texto não resolve a crise de saúde nem reduz o custo de vida dos americanos.
A paralisação, a mais longa da história do país, resultou em suspensão de serviços básicos, congelamento de benefícios alimentares para a população de baixa renda e atrasos nos aeroportos por falta de pessoal de segurança e controladores de voo. Sem salário, muitos trabalhadores recorreram a doações de alimentos e a empréstimos emergenciais, enquanto economistas alertavam para possíveis danos permanentes ao crescimento da economia.
Os deputados estão em recesso desde 19 de setembro. O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, avisou que convocará os parlamentares de volta a Washington em até 48 horas caso o Senado aprove em definitivo o projeto de gastos.
Com informações de Gazeta do Povo