LA PAZ – A Bolívia voltou a ter embaixadores nos Estados Unidos depois de 17 anos. O anúncio foi feito no sábado (8), logo após a posse do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, que sucede duas décadas de governos do Movimento ao Socialismo (MAS).
Fim do isolamento diplomático
Paz, de 58 anos, economista e filho do ex-mandatário Jaime Paz (1989-1993), afirmou que o país “nunca mais ficará de costas para o mundo”. A cerimônia no Palácio Legislativo reuniu delegações estrangeiras, entre elas o subsecretário de Estado norte-americano Christopher Landau, os presidentes Javier Milei (Argentina) e Gabriel Boric (Chile), além do vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin.
As relações bilaterais estavam cortadas desde 2008, quando Evo Morales expulsou o embaixador dos EUA. Washington retaliou na mesma moeda. Ainda como eleito, Paz foi a Washington para negociar a retomada de laços e buscar apoio financeiro.
Crise fiscal estimula reaproximação
A reconexão com os EUA ocorre em meio a grave desequilíbrio nas contas públicas:
- Reservas internacionais despencaram de US$ 15,1 bilhões (2014) para US$ 3,2 bilhões (outubro de 2024), queda de 80%.
- Subsídios a gasolina e diesel consomem 3,4% do PIB, segundo o FMI.
- A inflação alcançou 25% em julho e fechou outubro em 19%.
- Há escassez de dólares e combustíveis no mercado interno.
Ao assumir, Paz prometeu cortar mais da metade dos subsídios, abrir a economia, reduzir tarifas de importação e simplificar a burocracia. “O país precisa voltar a produzir”, declarou.
Lítio é trunfo estratégico
Com estimadas 21 milhões de toneladas, as reservas bolivianas de lítio superam as do Chile, mas permanecem quase intocadas. Os contratos assinados em 2023 com as chinesas Contemporary Amperex Technology e a russa Uranium One serão revisados. Assessores de Paz os classificam como “obscuros”.
A meta do novo governo é atrair capital e tecnologia ocidentais para colocar o mineral no mercado internacional, antes que o atual excesso de oferta e avanços em baterias alternativas reduzam a demanda global.
Com informações de Gazeta do Povo