A Ucrânia mantém tropas em Pokrovsk, na região leste de Donetsk, para impedir que forças russas completem um cerco considerado decisivo para o rumo da guerra e para a continuidade da ajuda dos Estados Unidos. A batalha, apontada por analistas como a mais importante de 2025, opõe cerca de 20 mil a 30 mil soldados ucranianos a um contingente russo estimado em 150 mil militares.
Pokrovsk, localizada a 700 quilômetros de Kyiv, é um entroncamento ferroviário estratégico que sofre ataques há 21 meses. Se a cidade cair, Moscou ganhará acesso facilitado ao chamado cinturão de defesa de Donetsk — formado por Kramatorsk, Sloviansk e Konstiantynivka — e reforçará a narrativa do presidente Vladimir Putin de que a vitória russa é inevitável.
Pressão militar e ofensiva aérea
No sábado (8), a Rússia lançou um ataque combinado de mais de 450 drones e 45 mísseis contra 25 localidades, matando seis civis e provocando cortes de energia em várias regiões. Na linha de frente, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, Moscou envia diariamente cerca de 300 soldados a pé para destruir bases de operação de drones ucranianos, transformando o confronto em combate corpo a corpo.
Apesar da superioridade numérica russa, os ucranianos mantêm o controle da parte norte de Pokrovsk e realizam contra-ataques nos distritos do sul. Em 31 de outubro, Kiev utilizou helicópteros para reabrir rotas de suprimento, demonstrando que ainda consegue mover reforços para dentro da cidade.
Impacto político em Washington
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que “todos aguardam” a reação de Washington diante da ofensiva russa. De acordo com Zelensky, Moscou conta com a tomada de Pokrovsk para pressionar líderes norte-americanos a reduzirem sanções e persuadirem Kiev a ceder território.
Analistas militares, como o coronel da reserva Kostiantin Mashovets, avaliam que a Ucrânia não dispõe de forças suficientes para alterar radicalmente o cenário e, por isso, intensifica os pedidos de ajuda. Ainda assim, a perda da cidade não significaria derrota imediata: Kiev preparou linhas defensivas adicionais caso seja obrigada a recuar.
Enquanto isso, soldados ucranianos relatam que conhecem bem suas posições e pretendem prolongar a resistência, confiando que contra-ataques e fortificações possam reduzir as baixas e ganhar tempo para uma decisão política em favor de novas remessas de armas ocidentais.
Com informações de Gazeta do Povo