Brasília – Em artigo publicado nesta quinta-feira (6) no jornal britânico The Guardian, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que parte da renda obtida com a produção de petróleo em todo o mundo seja direcionada ao financiamento da agenda climática. A manifestação ocorre a poucos dias da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para Belém.
Transição energética “justa, ordenada e equitativa”
Lula argumentou que o redirecionamento de recursos será “essencial” para viabilizar uma transição energética que considere justiça social. Segundo ele, companhias petrolíferas – inclusive a Petrobras – tendem a se transformar em empresas de energia. “Um modelo de crescimento baseado em combustíveis fósseis não é sustentável”, escreveu.
Reforma da ONU e novo conselho climático
No mesmo texto, o presidente voltou a defender a reforma das Nações Unidas. Ele afirmou que o Conselho de Segurança sofre de “paralisia” e não impediu conflitos recentes. Como alternativa, prometeu propor na COP30 a criação de um Conselho da ONU sobre Mudanças Climáticas, vinculado à Assembleia Geral, “com força e legitimidade para assegurar o cumprimento das promessas feitas pelos países”.
“Cúpula da verdade” na Amazônia
Ao sediar a conferência em Belém, Lula disse querer transmitir que esta será a “cúpula da verdade”. Para ele, se discursos não se converterem em ações concretas, a sociedade deixará de acreditar “nos políticos, no multilateralismo e na política internacional”.
Críticas à postura ambiental do governo
No mesmo período, o The New York Times destacou o que chamou de contradições na política climática brasileira. Em reportagem intitulada “Salvar a Amazônia ou explorar petróleo? O Brasil afirma que pode fazer as duas coisas”, o jornal apontou que, embora o governo tenha reduzido o desmatamento, busca flexibilizar regras ambientais e autorizar perfuração de petróleo na foz do Rio Amazonas.
Em declaração a agências internacionais na última terça-feira, Lula afirmou que “não busca ser um líder ambiental”, mas que seguirá orientações técnicas de seu governo. Ele acrescentou que eventuais receitas do petróleo podem ajudar a financiar a transição para energia limpa: “Se tiver que explorar, vamos fazer da forma mais cuidadosa que alguém pode fazer”.
O Times avaliou que a controvérsia pode prejudicar a imagem do Brasil e enfraquecer sua influência nas negociações climáticas internacionais.
Com informações de Gazeta do Povo