Brasília – A bancada do PT na Câmara dos Deputados e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticaram nesta quarta-feira (29) a megaoperação policial desencadeada pelo governo do Rio de Janeiro na terça (28) contra chefes do Comando Vermelho, ação que deixou 64 mortos e resultou na prisão de 81 suspeitos.
Em nota, os parlamentares chamaram a ofensiva de “expressão máxima de um modelo falido e irresponsável” e responsabilizaram o governador Cláudio Castro (PL-RJ) por adotar uma “estratégia de guerra” que, segundo eles, apenas amplia o número de vítimas. O grupo classificou como “vergonhosa e eleitoreira” a postura do governador e lembrou que quatro policiais também morreram no dia que se celebra o servidor público.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Rio, cerca de 2,5 mil agentes estaduais participaram da operação nos complexos do Alemão e da Penha. Havia 100 mandados de prisão expedidos. O secretário Victor Santos afirmou que a ação foi planejada com antecedência e sem apoio federal, enquanto Castro declarou que o estado “estava sozinho”.
Os deputados petistas contestaram o governador, chamando de “falsidade grotesca” a alegação de isolamento. De acordo com a bancada, Força Nacional, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal mantêm presença permanente no estado, com resultados significativos na apreensão de armas e drogas.
No comunicado, o PT defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê integração federativa, e do PL Antifacção, voltado à inteligência policial e à descapitalização de organizações criminosas.
Gleisi Hoffmann reforçou a cobrança. “Fica evidente a necessidade de articulação entre forças de segurança no combate ao crime organizado e de fortalecimento da Polícia Federal e demais forças federais no planejamento e execução de ações conjuntas”, declarou, apontando a urgência da PEC no Congresso.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, rebateu a fala de Castro e afirmou não ter recebido pedido oficial de auxílio. Ele reiterou que o governo federal oferece suporte sempre que solicitado e deve se reunir com o governador ainda hoje para discutir próximos passos.
Com informações de Gazeta do Povo