Brasília, 24 out. 2025 – A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba) anunciou nesta sexta-feira (24) a suspensão do novo governo da Bolívia, acusando-o de postura “pró-imperialista e colonialista”. A decisão foi motivada por declarações do presidente eleito boliviano, senador Rodrigo Paz, que afirmou que não convidará os líderes de Venezuela, Cuba e Nicarágua para sua posse prevista para novembro.
Paz, do centro-direitista Partido Democrata Cristão (PDC), venceu o segundo turno da eleição presidencial no último domingo (19). A vitória pôs fim a quase duas décadas de gestão do Movimento ao Socialismo (MAS), aliado de Caracas, Havana e Manágua.
Em nota lida pela emissora estatal venezuelana VTV, a Alba classificou como “inaceitáveis” as falas do futuro governo, chamado de “extrema direita”, e confirmou a suspensão. “Esta medida não afeta os laços permanentes, afetuosos e solidários que mantemos com o povo boliviano, com quem continuaremos trabalhando e apoiando seu desenvolvimento e bem-estar”, destacou a organização.
Durante entrevista à CNN após a vitória, Paz justificou a exclusão dos presidentes Nicolás Maduro, Miguel Díaz-Canel e Daniel Ortega de sua lista de convidados: “Somos um país democrático. Embora as relações diplomáticas devam ser respeitadas, nossa condição para relações é baseada na democracia”.
Membros da Alba
A Alba reúne Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Névis, Granada e Santa Lúcia.
Antecedentes
Em 2019, quando Jeanine Áñez assumiu interinamente a Presidência da Bolívia, La Paz retirou-se da aliança, que, por sua vez, não reconheceu o governo provisório. O país voltou à Alba em 2020, após a eleição de Luis Arce (MAS).
A suspensão atual marca novo afastamento entre La Paz e os regimes de Caracas, Havana e Manágua, agora sob a liderança de Rodrigo Paz.
Com informações de Gazeta do Povo