O Ministério do Interior da Rússia voltou a colocar o político opositor Vladimir Kara-Murza, 44 anos, na lista nacional de pessoas procuradas. A medida foi oficializada nesta segunda-feira (13) e ocorre pouco mais de um ano depois de sua libertação, ocorrida em 1º de agosto de 2024, no maior acordo de troca de prisioneiros entre Moscou e potências ocidentais desde o fim da Guerra Fria.
Além do novo mandado de captura, Kara-Murza foi incluído no cadastro de “terroristas e extremistas” da agência federal de supervisão financeira (Rosfinmonitoring), o que determina o bloqueio imediato de suas contas bancárias e proíbe qualquer transação em território russo.
Condenação de 25 anos permanece
Em 2025, a Justiça russa condenou o opositor a 25 anos de prisão por três acusações: divulgação de informações consideradas falsas sobre as Forças Armadas, participação em organização classificada como “indesejada” e alta traição.
Detalhes da troca de 2024
No acordo firmado em 2024, o Kremlin libertou 16 detentos — entre eles Kara-Murza, 12 ativistas da oposição, dois cidadãos norte-americanos acusados de espionagem e dois alemães — em troca de cinco russos presos no Ocidente por espionagem e crimes cibernéticos. Um dos repatriados era um agente do serviço secreto russo que cumpria prisão perpétua na Alemanha por assassinato.
Segundo caso após o acordo
A nova ordem contra Kara-Murza é o segundo episódio envolvendo ex-presos políticos libertados no mesmo acordo. Em dezembro de 2024, o também opositor Ilya Yashin passou a ser alvo de mandado de captura após criticar publicamente o governo.
Vida no exílio
Crítico de longa data do presidente Vladimir Putin e sobrevivente de duas tentativas de envenenamento, Kara-Murza vive atualmente no exílio e tem participado de fóruns internacionais para denunciar violações de direitos humanos atribuídas ao regime russo.
Com informações de Gazeta do Povo