Israel vive um clima de expectativa intensa desde a entrada em vigor da primeira etapa do plano de paz apresentado pelo presidente norte-americano Donald Trump. O acordo prevê o cessar-fogo imediato e a libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas na Faixa de Gaza, após dois anos de guerra e cativeiro.
Pelo acerto, o Hamas tem até a próxima segunda-feira (13) para entregar os sequestrados. Autoridades israelenses trabalham com a possibilidade de que 20 sobreviventes sejam libertados ainda neste fim de semana. Outros 28 reféns são presumidos mortos, e o grupo islâmico deverá devolver seus corpos também nos próximos dias.
Famílias vivem “montanha-russa emocional”
Rafael Azamor, representante no Brasil do Fórum das Famílias dos Sequestrados e Desaparecidos, descreveu à reportagem o estado de espírito dos parentes: “Há sinais positivos com o avanço das negociações, mas o tempo prolongado de cativeiro gera medo. Ninguém sabe em que condições físicas ou mentais os reféns se encontram”.
Azamor recorda experiências anteriores em que ex-reféns apresentaram traumas psicológicos profundos e problemas de saúde graves. “Mesmo após a libertação, o pesadelo não termina. Não existe um botão de ‘reset’ capaz de apagar dois anos de sofrimento”, afirmou.
Operação monitorada por tropas dos EUA
A trégua será supervisionada por cerca de 200 militares norte-americanos, que devem chegar a Israel neste sábado (11/10/2025), segundo a ABC News. Eles atuarão fora da Faixa de Gaza. Em contrapartida à libertação dos israelenses, o governo de Benjamin Netanyahu concordou em libertar aproximadamente dois mil prisioneiros palestinos, incluindo integrantes do Hamas e da Jihad Islâmica.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) recuaram para uma linha previamente acertada com o Hamas, mas permanecem dentro do enclave palestino.
Atendimento médico e reintegração
Assim que retornarem, os reféns passarão por exames clínicos, avaliações nutricionais e acompanhamento psiquiátrico. “Não é incomum receber pessoas em estado de choque”, detalhou Azamor. Em seguida, equipes multidisciplinares — formadas por psicólogos, assistentes sociais e terapeutas familiares — trabalham na reintegração social.
O governo israelense ainda oferece suporte de longo prazo, que pode incluir realocação, mudança de emprego e proteção adicional, dependendo da exposição pública de cada vítima.
Caso Nisenbaum expõe queixa contra governo brasileiro
Apesar de não haver brasileiros na lista atual de reféns a serem libertados, Azamor relembrou o caso de Michel Nisenbaum, cidadão brasileiro-israelense sequestrado e morto em 7 de outubro de 2023. Seu corpo foi recuperado apenas em 24 de maio de 2024.
Segundo o representante, a família de Nisenbaum sente-se “abandonada” pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora o Palácio do Planalto tenha divulgado nota lamentando a morte e prometido “lutar pela libertação de todos os reféns”, os parentes afirmam não ter recebido acompanhamento efetivo após uma reunião com o presidente dois meses depois do ataque.
Lula também se somou a líderes internacionais que criticam a ofensiva israelense em Gaza, chegando a acusar Israel de “genocídio” — declarações que foram elogiadas pelo Hamas.
Enquanto o relógio avança para o prazo final estipulado no acordo, familiares aguardam notícias concretas, oscilando entre a esperança de reencontro e o receio do que ainda podem enfrentar.
Com informações de Gazeta do Povo