O governo de Nicolás Maduro deu início na noite de quarta-feira (1º) às festividades natalinas na Venezuela, quase três meses antes do calendário tradicional. A cerimônia ocorreu na praça Bolívar, no centro histórico de Caracas, diante de centenas de apoiadores que acompanharam a contagem regressiva para o acendimento das luzes de Natal.
A prefeita da capital, Carmen Meléndez, acionou o botão que iluminou a praça e desejou “um feliz início de Natal”. Do palco, autoridades e músicos saudaram o presidente, que, segundo os organizadores, acompanhava o ato à distância. Parte do público vestia fantasias ou portava bengalas iluminadas.
Festividade repetida desde 2013
Em setembro, Maduro já havia anunciado a antecipação das comemorações, prática adotada desde que assumiu o poder em 2013. O líder chavista argumenta que o início precoce do Natal é uma “fórmula” que favorece a economia, a cultura e a “alegria” popular.
Novo decreto de “comoção externa”
O acendimento das luzes ocorreu dois dias depois de a vice-presidente Delcy Rodríguez informar que Maduro assinou um “decreto de comoção externa”. A medida concede poderes adicionais ao chefe do Executivo para “atuar em matéria de defesa e segurança” diante das “ameaças” dos Estados Unidos.
Oposição critica fogos em centro de detenção
A Plataforma Democrática Unitária (PUD), principal coalizão opositora, repudiou o lançamento de fogos de artifício a partir de El Helicoide — sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) e local onde estão detidos vários presos políticos. Em publicação na rede X, o bloco classificou o ato como “perverso e desumano”.
O Comitê de Direitos Humanos do Vente Venezuela, partido da dirigente opositora María Corina Machado, também protestou, afirmando que “não há Natal em meio à dor”. A sigla divulgou vídeo que mostra os fogos partindo do edifício usado como centro de detenção.
ONU aponta avanço da repressão
Em setembro, a Comissão de Investigação da ONU sobre a Venezuela relatou aumento na repressão após as eleições presidenciais de julho de 2024, quando o Conselho Nacional Eleitoral declarou vitória de Maduro, resultado contestado pela oposição.
As autoridades chavistas prometem manter as celebrações “em paz”, apesar das críticas internas e da crescente tensão com Washington.
Com informações de Gazeta do Povo