A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar a Lei Magnitsky à advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, movimentou a cobertura da imprensa estrangeira desde segunda-feira (22). O tema passou a ocupar espaço em jornais norte-americanos, europeus e latino-americanos, que destacaram o impacto diplomático da medida.
Washington Post fala em “escalada” entre Trump e Brasília
O The Washington Post descreveu Moraes como “o juiz que liderou o processo” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que as novas sanções representam “uma escalada” no embate entre o presidente norte-americano Donald Trump — citado como aliado de Bolsonaro — e o governo brasileiro. A publicação também relembrou as acusações semelhantes enfrentadas por Trump pela invasão ao Capitólio, em 2021, e mencionou uma entrevista recente de Moraes na qual o ministro declarou que não cederia a pressões da Casa Branca.
Le Monde aponta intensificação da pressão da Casa Branca
Na França, o Le Monde classificou a medida como reflexo de “uma crise diplomática em curso entre Brasil e Estados Unidos”. O jornal detalhou os efeitos imediatos das sanções, como o congelamento de bens e ativos nos EUA de Viviane Barci e de um instituto ligado à família. Segundo o diário francês, a Casa Branca “exerce cada vez mais pressão sobre autoridades brasileiras”.
El País destaca inclusão em lista de violadores de direitos humanos
Na Espanha, o El País enfatizou que Viviane Barci foi incluída na lista global de violadores de direitos humanos prevista pela Lei Magnitsky. “Barci, esposa do juiz Alexandre de Moraes, que é relator do processo contra o ex-presidente [Jair Bolsonaro], junta-se assim ao clube internacional de violadores de direitos humanos sancionados”, escreveu o jornal.
A sanção imposta à esposa do ministro do STF ocorre pouco mais de dois meses depois de o próprio Alexandre de Moraes ter sido alvo da mesma legislação norte-americana, em julho. À época, Washington alegou “ameaças à democracia” como motivo da punição.
Até o momento, o governo brasileiro não divulgou posicionamento oficial sobre a nova medida dos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo