O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o mandatário norte-americano Donald Trump durante entrevista concedida à emissora pública PBS, em Nova York, onde participa da 79.ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O pronunciamento de Lula na ONU está marcado para as 10h desta terça-feira, 23 de setembro de 2025.
No diálogo exibido na segunda-feira (22), o chefe do Palácio do Planalto classificou como “inaceitável” a forma como Trump vem conduzindo a diplomacia com Brasília. “É inaceitável que o presidente Trump tenha esse tipo de comportamento com o Brasil devido ao julgamento de um ex-presidente que tentou um golpe de Estado”, afirmou, em referência à condenação de Jair Bolsonaro, sentenciado neste mês a 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
A tensão entre os dois governos se intensificou após o chamado “tarifaço” imposto por Washington em julho, considerado “absurdo” por Lula. O presidente brasileiro declarou que aguardará disposição da Casa Branca para negociar. “Não tomo decisões com raiva. No momento em que os Estados Unidos desejarem negociar, estaremos prontos”, disse.
Na segunda-feira, a administração norte-americana anunciou sanções contra a advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e revogou vistos de outras autoridades brasileiras ligadas ao magistrado. Questionado sobre o episódio, Lula afirmou que Trump “precisa ter mais responsabilidade” por liderar um país “de tamanha grandeza e poder”. “Não aceitamos que nenhum país interfira na nossa democracia ou na nossa soberania”, reforçou.
O presidente também mencionou as recentes manifestações de grupos de esquerda contra a PEC da anistia, proposta que pretende perdoar envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. “Sofremos para nos livrar de Bolsonaro, não queremos mais ditaduras”, declarou, sem descartar a possibilidade de concorrer à reeleição em 2026.
Esta é a primeira viagem internacional de Lula após a condenação de Bolsonaro. O discurso do brasileiro abrirá a sessão de chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU, tradição reservada ao Brasil desde 1947.
Com informações de Gazeta do Povo