Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou na noite de sexta-feira, 19 de setembro de 2025, por meio da rede Truth Social, que militares americanos destruíram mais uma embarcação suspeita de transportar drogas em águas internacionais sob jurisdição do Comando Sul (Southcom). Segundo o republicano, três tripulantes morreram.
Trump afirmou que o barco estava ligado a “uma organização terrorista designada”, sem mencionar a Venezuela. Ele frisou que a ação ocorreu em alto-mar, repetindo o argumento usado em outros ataques anunciados desde o fim de agosto.
Escalada após envio de navios de guerra
No final de agosto, os EUA deslocaram oito navios de guerra e um submarino nuclear para o Mar do Caribe, próximo à costa venezuelana, alegando necessidade de impedir que drogas cheguem ao território americano. Caracas classificou a operação como pretexto para uma intervenção militar.
Desde então, Trump divulgou outros três bombardeios: em 2 de setembro, contra uma embarcação que ele atribuiu à gangue venezuelana Tren de Aragua, com 11 mortos; em 15 de setembro, contra “narcoterroristas confirmados da Venezuela”, com três mortos; além de um ataque sem detalhes revelado em entrevista coletiva entre essas duas datas.
Críticas de organismos internacionais
A ofensiva militar provocou reação de entidades de direitos humanos. Na quinta-feira, 18 de setembro, a Human Rights Watch classificou as investidas como “execuções extrajudiciais ilegais”, argumentando que não houve tentativa de captura nem demonstração de ameaça iminente.
Dois dias antes, em 16 de setembro, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos declarou que o direito internacional “não permite que governos simplesmente assassinem supostos traficantes de drogas”. O órgão acrescentou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar exige abordagem policial, não militar, para interceptações em alto-mar.
Governo ignora contestações
Em entrevista coletiva na Cidade do México após o primeiro ataque, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que explodir embarcações é “o melhor jeito” de barrar o tráfico, pois “interdição não funciona”.
O vice-presidente J.D. Vance reforçou a posição no X (ex-Twitter): “Matar membros de cartéis que envenenam nossos concidadãos é o melhor e mais elevado uso de nossas Forças Armadas”. Questionado sobre possíveis crimes de guerra, respondeu: “Estou c* para como você chama”.
Mesmo sob questionamentos sobre a legalidade das ações, a Casa Branca mantém a operação no Caribe e promete novos ataques a embarcações que considerar ligadas ao narcotráfico.
Com informações de Gazeta do Povo