O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desistiu nesta sexta-feira (19) de acompanhar a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, após o governo dos Estados Unidos restringir sua circulação no país.
Padilha recebeu o visto de entrada na quinta-feira (18), mas foi informado de que só poderia transitar por uma área de cinco quarteirões entre o hotel onde se hospedaria, a sede da ONU e as representações brasileiras nas proximidades. A mesma limitação valeria para familiares que o acompanhassem.
Em entrevista à GloboNews, o ministro classificou a medida como “inaceitável”. “Quando vou para um evento como esse, preciso ter plena possibilidade de participar de todas as atividades para as quais fomos convidados”, afirmou.
Impacto em agendas paralelas
Segundo Padilha, a restrição inviabilizaria sua presença na conferência da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), marcada para 29 de setembro em Washington, além de reuniões bilaterais que ocorreriam fora do perímetro delimitado.
O ministro destacou que o Brasil é o segundo maior país membro da Opas e detém o maior sistema nacional de saúde vinculado à organização. Ele pretendia anunciar, durante o encontro em Washington, um aporte financeiro brasileiro ao fundo estratégico da Opas para reduzir custos de vacinas e medicamentos no continente.
Reação do Itamaraty
Mais cedo, o chanceler Mauro Vieira informou ter acionado o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidência da Assembleia-Geral para que intervenham. “São restrições sem cabimento, injustas e absurdas”, declarou Vieira.
Tentativas anteriores de restrição
No mês passado, os Estados Unidos revogaram os vistos da esposa e da filha de Padilha. A decisão foi atribuída ao fato de o ministro, envolvido no programa Mais Médicos, estar com o visto vencido desde 2024.
Apesar do impasse, Padilha afirmou que o Brasil “não será intimidado” e que continuará defendendo vacinas, ciência e investimentos no setor de saúde.
Com informações de Gazeta do Povo