Mais de 1 000 fiéis se reuniram neste fim de semana na pequena aldeia de Mialet, nas montanhas Cévennes, sul da França, para o tradicional culto ao ar livre que celebra a herança da Reforma e reforça o compromisso com a liberdade religiosa.
O encontro ocorreu na esplanada em frente ao Museu do Deserto, local que preserva a memória da resistência huguenote aos séculos de absolutismo francês. O tema deste ano, “O Espírito sopra onde quer: 1525-2025 – 500 anos de extraordinária diversidade protestante”, fez referência aos 500 anos do anabatismo, surgido em 1525 em Zurique, na Suíça, movimento que influenciou correntes como batistas e evangélicos livres.
Pregações e apelos à unidade
Na parte da manhã, a mensagem principal ficou a cargo de Christian Krieger, presidente da Federação Protestante da França (FPF), que destacou a importância de conhecer as raízes históricas do protestantismo para projetar o futuro das igrejas e da sociedade.
À tarde, os pesquisadores Sébastien Fath e Neal Blough ofereceram intervenções de caráter histórico sobre a realidade evangélica na França e no exterior. Encerrando o dia, a pastora Joëlle Sutter-Razanajohary, da Federação das Igrejas Batistas Evangélicas da França, convocou os participantes à unidade na diversidade.
Tradição das “assembleias do deserto”
O evento anual remete às antigas assembleias do deserto, cultos secretos realizados nas montanhas por protestantes perseguidos durante o reinado de Luís XIV. Além das arquibancadas montadas por organizações cristãs, muitos fiéis levaram piqueniques, reforçando o clima de comunhão.
Capelania militar protestante celebra 170 anos
Na mesma linha de resgate histórico, a capelania militar protestante da França (APA) comemora 170 anos de fundação. Para marcar a data, a Igreja Luterana de Les Billettes, em Paris, recebe até 21 de setembro uma exposição gratuita que retrata a atuação dos capelães desde a Guerra da Crimeia, em 1854.
A mostra reúne fotografias de Karine Sicard Bouvatier, que registrou 11 capelães das Forças Armadas francesas. As imagens serão publicadas em 2 de outubro no livro “Une croix sur le treillis” (“Uma cruz no uniforme militar”, em tradução livre).
A inauguração contou com a participação de Christian Krieger e do capelão-chefe Etienne Waechter. O professor Jean-Yves Carluer apresentou a trajetória dos capelães protestantes desde 1854, seguida da leitura de trechos das memórias de Maximilien Reichard, que serviu na Guerra da Crimeia.
Com informações de Guiame