São Paulo – A taxação extra de 50% imposta pelo governo Donald Trump sobre o café brasileiro, em vigor desde 6 de agosto, reduziu drasticamente o envio do produto aos Estados Unidos e fez o consumidor norte-americano pagar mais caro pela bebida.
Dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) mostram que, apenas em agosto, o preço do café nos EUA avançou 3,6%, nove vezes a inflação oficial do período (0,4%). Em 12 meses, a alta chega a 20,9%, o maior salto em 28 anos.
Exportações caem quase pela metade
Levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indica que o país embarcou 301 mil sacas para o mercado americano em agosto, volume 46,5% menor que as 563 mil sacas enviadas no mesmo mês de 2024. Na comparação com julho de 2025, quando saíram 408 mil sacas, a queda foi de 26,2%.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, parte dos lotes exportados em agosto referem-se a contratos fechados antes da adoção da tarifa ou sofreram atrasos logísticos. Ele ressalta que a safra 2025/26 é menor, o que naturalmente reduziria os embarques, mas classifica a alíquota de 50% como “proibitiva”.
Alternativas buscam espaço
Com o Brasil pagando a tarifa máxima, importadores americanos passaram a procurar outros fornecedores. A Colômbia, principal concorrente no arábica, é taxada em 10%, enquanto o Vietnã, maior produtor de robusta, enfrenta tarifa de 20%.
Mercado internacional reage
No dia em que o adicional entrou em vigor, o arábica era negociado a US$ 286 por cem libras-peso na Bolsa de Nova York e o robusta a US$ 3.340 por tonelada em Londres, patamares bem abaixo dos recordes de 2024. Um mês depois, em 31 de agosto, as cotações saltaram para US$ 386 e US$ 4.815, respectivamente – altas de 34,9% e 44,2% – impulsionadas pela menor oferta brasileira e pelo aumento da demanda no Hemisfério Norte com a aproximação do inverno.
Com o arábica a US$ 386 mais a sobretaxa de 50%, o custo do grão brasileiro para o importador dos EUA chegaria a US$ 579 por cem libras-peso, acima do pico histórico de 2024 (US$ 448), calcula Ferreira.
Alemanha ultrapassa EUA nas compras
A retração norte-americana abriu espaço para outros destinos. A Alemanha importou 414 mil sacas de café brasileiro em agosto, superando os EUA como principal cliente no mês. Apesar da queda anual de 24%, o volume alemão cresceu 56,2% em relação a julho.
Oferta global apertada dificulta substituição
Para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a troca do café brasileiro por outros origens não é simples: estoques mundiais estão nos menores níveis em 25 anos e Europa e EUA disputam o mesmo produto. O órgão vê tendência de preços ainda mais altos nos grandes polos consumidores.
Exportadores brasileiros temem que, com custos elevados, torrefadoras dos EUA reduzam gradualmente a participação do grão nacional nos blends, mudança que pode ser difícil de reverter no longo prazo.
Com informações de Gazeta do Povo