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Vice-presidente da CNBB diz que julgamento de Bolsonaro reforça instituições, ao contrário do caso nos EUA

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O vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Paulo Jackson, afirmou nesta sexta-feira, 12 de setembro de 2025, que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por supostamente chefiar uma tentativa de golpe de Estado reforça as instituições brasileiras, efeito que, segundo ele, não se observou nos Estados Unidos após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Aconteceu praticamente a mesma coisa nos Estados Unidos e não houve julgamento nenhum”, declarou o arcebispo ao conversar com jornalistas ao término do XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos, realizado em Lisboa.

Para Dom Paulo Jackson, o processo conduzido no Brasil mostra que, mesmo diante da crise provocada pelos ataques de 8 de janeiro de 2023 contra os prédios dos Três Poderes, o país saiu “bastante reforçado” institucionalmente. Ele classificou o grupo de investigados como “núcleo central da tentativa de golpe militar” e disse que o julgamento evidencia a solidez do Estado Democrático de Direito.

Críticas a tarifas dos EUA

O religioso também comentou a tarifa imposta pelo governo norte-americano a produtos brasileiros desde 6 de agosto. Na avaliação dele, a medida “não é razoável” e carece de explicações adequadas. “Acho que a taxação de produtos brasileiros, como retaliação ao funcionamento democrático das instituições, não é razoável”, afirmou.

Papel da Igreja diante da polarização

Dom Paulo Jackson reconheceu que o Brasil enfrenta “processo muito grande de polarizações” e destacou a atuação da Igreja Católica para mitigar seus efeitos sociais. “A Conferência Episcopal tem feito um trabalho gigantesco para minimizar as consequências desses processos”, disse. Segundo o vice-presidente da CNBB, é necessário iniciar “um processo de reconciliação e pacificação” que respeite as instituições, a legislação e o Estado Democrático de Direito.

Ele ressaltou que a pacificação não prescinde do cumprimento da lei, mas envolve também uma dimensão espiritual que deve engajar as comunidades católicas. “O processo de pacificação deve envolver profundamente as nossas comunidades”, concluiu.

Com informações de Gazeta do Povo