O governo de Israel informou nesta terça-feira, 9 de setembro de 2025, que realizou um ataque aéreo contra integrantes da liderança política do Hamas em Doha, capital do Catar. A ofensiva, confirmada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) e pelo serviço de inteligência Shin Bet, recebeu o codinome “Cúpula de Fogo”.
De acordo com o comando israelense, o bombardeio foi planejado para reduzir danos colaterais e empregou armamentos guiados por dados de inteligência. “Os membros da liderança atingidos conduziram atividades terroristas por anos”, declarou o comunicado militar.
A emissora israelense Channel 12 havia divulgado que o ataque, com explosões visíveis na região de Katara, em Doha, seria chamado de Atzeret HaDin (“Dia do Julgamento”), mas as FDI oficializaram o nome “Cúpula de Fogo”. Fontes citadas pelo canal também afirmaram que Khalid Meshal, veterano dirigente do Hamas, estava no local alvo da operação.
Já a rede Al Jazeera, com base em uma fonte de alto escalão do Hamas, relatou que a delegação atingida discutia uma proposta de cessar-fogo apresentada pelos Estados Unidos para a Faixa de Gaza.
Fontes do governo norte-americano disseram ao Channel 12 que o presidente Donald Trump autorizou a ação. A Casa Branca ainda não se manifestou publicamente.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al Ansari, classificou o ataque como “ato covarde” e “violação flagrante das leis internacionais”, além de alertar para riscos à segurança de cidadãos e residentes no país. Segundo ele, o episódio está sendo investigado “no mais alto nível”.
Imagem: SHAWN THEW
O bombardeio ocorre quase dois anos após o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a atual guerra entre Israel e o Hamas. Desde então, boa parte da liderança militar do grupo na Faixa de Gaza foi eliminada, enquanto o núcleo político permaneceu principalmente no Catar, país que, junto com Egito e Estados Unidos, atua como mediador de negociações de cessar-fogo.
Na véspera da operação em Doha, dois palestinos atacaram passageiros de um ônibus em Jerusalém, deixando mortos e feridos. A ação foi reivindicada pelo Hamas.
Com informações de Gazeta do Povo