Brasília – A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou nota nesta sexta-feira (29) expressando “preocupação” com a possibilidade de o governo federal aplicar a Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O posicionamento ocorreu um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a abertura de consultas formais junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar a adoção de medidas contra mercadorias norte-americanas.
Setor produtivo teme impacto
No comunicado, a FPA argumenta que uma reação imediata pode “enviar sinalizações equivocadas” e prejudicar a estratégia de negociação internacional do país. O grupo defende que qualquer decisão seja baseada em “critérios técnicos e comerciais”.
Mais cedo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também recomendou prudência. Segundo a entidade, este “não é o momento” para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e o setor industrial continuará priorizando o diálogo.
Tarifas de 50% em vigor desde 6 de agosto
As sobretaxas norte-americanas entraram em vigor em 6 de agosto. O presidente Donald Trump justificou a medida alegando que práticas do governo brasileiro ameaçam a segurança nacional e a economia dos EUA, além de violarem a liberdade de expressão e os direitos humanos. A decisão citou supostos abusos de autoridade do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e perseguição a Jair Bolsonaro.

Imagem: Antio Cruz
Prazo de até sete meses
Embora o Planalto tenha iniciado o processo, o Itamaraty informou que a análise poderá durar até sete meses, período que inclui consultas ao governo dos EUA e direito ao contraditório.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula afirmou não ter “pressa” para aplicar contramedidas, mas disse que precisava “andar o processo”.
Com informações de Gazeta do Povo