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Polícia sudanesa prende pastor e quatro fiéis sul-sudaneses durante culto de oração em Cartum

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A polícia do Sudão interrompeu, em 16 de agosto, uma reunião de oração fúnebre no bairro El-Haj Yousif, distrito de East Nile, ao norte de Cartum, e prendeu cinco cristãos sul-sudaneses. Entre eles está o pastor Peter Perpeny, da Igreja Presbiteriana do Sudão, segundo líderes eclesiásticos locais.

Os detidos foram levados para a Prisão de Omdurman. As autoridades não apresentaram acusações formais nem informaram se os cristãos seriam deportados, embora tenham sugerido que se trataria de uma prisão por permanência irregular no país. Uma das presas foi orientada a pagar 600.000 libras sudanesas (aproximadamente US$ 995) para evitar até seis meses de detenção, valor que líderes religiosos interpretam como tentativa de suborno.

Desde o início de agosto, agentes de segurança vêm realizando batidas de porta em porta para deter estrangeiros, especialmente sul-sudaneses e etíopes. Líderes cristãos relatam clima de medo crescente, levando muitos fiéis a permanecerem em casa.

Conflito armado amplia riscos

A área onde ocorreu a prisão é considerada reduto das Forças de Apoio Rápido (RSF), que lutam contra as Forças Armadas Sudanesas (SAF) desde 15 de abril de 2023. Ambos os grupos, de orientação islâmica, já atacaram templos e acusam deslocados cristãos de auxiliarem o lado oposto.

A guerra civil agravou a violência contra seguidores de Jesus no país. O relatório World Watch List 2025, da organização Portas Abertas, registra aumento de assassinatos, abusos sexuais, saques e ocupações de igrejas desde o início do conflito.

Dados sobre perseguição religiosa

O Sudão ocupa o 5.º lugar entre os 50 países com maior perseguição a cristãos, segundo a lista de 2025 da Portas Abertas — em 2024, estava na 8.ª posição. A população cristã local é estimada em 2 milhões de pessoas, cerca de 4,5 % dos mais de 43 milhões de habitantes.

Após a queda do ex-ditador Omar al-Bashir, em 2019, o governo de transição revogou parte da sharia, mas o golpe militar de 25 de outubro de 2021 trouxe de volta a expectativa de medidas mais severas contra minorias religiosas. A atual guerra entre SAF e RSF já matou dezenas de milhares de civis e deslocou mais de 11,9 milhões de pessoas, segundo o ACNUR.

Com informações de Folha Gospel