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The New York Times vê julgamento de Bolsonaro como teste para equilíbrio democrático no Brasil

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O jornal norte-americano The New York Times publicou nesta sexta-feira (29) uma reportagem analisando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado para 2 de setembro em Brasília. Segundo o periódico, a forma como o processo foi conduzido tem levantado dúvidas sobre a distribuição de poder no país e o papel central assumido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o texto, o STF ampliou suas competências nos últimos anos para investigar Bolsonaro e seus aliados. Nesse cenário, Moraes passou a chefiar inquéritos de grande alcance, determinando buscas, bloqueios de perfis em redes sociais, suspensão de plataformas digitais e prisões preventivas. Para o Times, tais medidas ajudaram na transição presidencial de 2023 e abriram caminho para o atual julgamento, mas alimentaram questionamentos sobre eventuais excessos da Corte.

Críticas de juristas

Ouvido pelo jornal, o jurista Walter Maierovitch, ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirmou que o Supremo cometeu “falhas e erros” no processo contra Bolsonaro e seus apoiadores. “Esses erros não apagam nem justificam a tentativa de golpe. Mas não deveriam ser repetidos”, declarou.

Pressão interna e externa

A reportagem lembra que, no fim de 2024, servidores públicos, juristas e constitucionalistas brasileiros passaram a questionar a falta de prestação de contas de Moraes e a manutenção de seus poderes ampliados mesmo após dois anos da saída de Bolsonaro do Planalto. Apesar das críticas, o governo federal e o STF passaram a associar a defesa da democracia à atuação do ministro.

O Times cita ainda a tentativa de interferência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que enviou carta ao governo brasileiro chamando o processo de “caça às bruxas” e anunciando tarifas contra o país. A publicação acrescenta que Washington aplicou sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky.

Movimentação no Congresso

No Parlamento brasileiro, cresceram pedidos para responsabilizar Moraes, mas nenhuma iniciativa avançou. Segundo o jornal, o presidente do Senado afirma que não colocará em votação um pedido de impeachment contra o ministro, embora senadores digam ter votos suficientes para destituí-lo. Pesquisa Quaest citada pelo veículo aponta que 46 % dos entrevistados apoiam a saída de Moraes, enquanto 43 % são contra.

Protestos e expectativa de condenação

Para 7 de setembro, Dia da Independência, grupos de direita planejam protestos em massa pedindo o impeachment do magistrado e criticando o processo contra Bolsonaro. Em Brasília, contudo, parlamentares e analistas ouvidos pelo Times consideram a condenação do ex-presidente praticamente certa. A Polícia Federal reuniu provas durante quase dois anos, e o próprio Bolsonaro admitiu ter discutido formas de permanecer no poder, embora sustente que agiu dentro das “opções previstas na Constituição”.

Para que Bolsonaro seja condenado, três dos cinco ministros do STF responsáveis pelo caso precisam votar favoravelmente. O Times observa que o colegiado inclui Moraes, um ex-ministro da Justiça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um advogado que foi defensor pessoal de Lula, o que, na avaliação do jornal, torna a condenação “altamente provável”.

Com informações de Gazeta do Povo