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Santa Catarina lança pacote de apoio a empresas e empregados prejudicados pelo tarifaço dos EUA

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Florianópolis – A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) colocou em prática o programa desTarifaço para reduzir os efeitos da elevação de tarifas de importação anunciada pelos Estados Unidos. O movimento oferece consultoria, capacitação e orientação para acesso a crédito sem custo às empresas exportadoras e aos trabalhadores atingidos.

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com dados de 2024 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta prejuízo de R$ 1,7 bilhão e recuo de 0,31% no Produto Interno Bruto catarinense por causa das novas tarifas.

Impacto sobre as indústrias

Pesquisa da Fiesc indica que 69,23% das empresas já registraram queda nos pedidos feitos por importadores norte-americanos e 53,84% suspenderam embarques. Além disso, 38,46% tiveram de renegociar preços e 17,7% concederam férias coletivas.

A redução de receita atinge 93,8% das exportadoras:

  • 51,2% esperam perda superior a 30% do faturamento;
  • 21,7% projetam queda entre 10% e 20%;
  • 20,9% calculam recuo de até 10%.

No mercado de trabalho, 72,1% das indústrias preveem demissões. Destas, 29,5% devem cortar mais de 30% do quadro; 22,5%, de 10% a 20%; e 21,7%, até 10% dos postos. Apenas 27,9% não planejam dispensas.

Medidas do desTarifaço

Destinado sobretudo a pequenas e médias empresas das regiões do Planalto Norte, Meio-Oeste e Serra, o programa oferece:

  • apoio para obtenção de crédito e benefícios governamentais;
  • consultoria para abertura de novos mercados e adaptação de produtos;
  • assistência jurídica em questões trabalhistas e negociações sindicais;
  • intermediação para contratação de bolsistas especializados.

Para os trabalhadores, há cursos de capacitação, programas de recapacitação focados em setores com falta de mão de obra, atendimento psicológico e ações de recolocação profissional.

Pacote estadual de R$ 435 milhões

Em agosto, o governador Jorginho Mello (PL) anunciou um pacote de R$ 435 milhões para sustentar a competitividade das empresas atingidas, garantir a continuidade das operações e preservar cerca de 73 mil empregos.

Conforme a Secretaria de Estado da Fazenda, o setor de madeira e móveis responde por 48,5% das exportações afetadas. Blocos de motor e compressores representam 17%, enquanto motores elétricos e transformadores somam 14,5%.

A região norte concentra 44% dos embarques catarinenses aos EUA, seguida pelo Vale do Itajaí, com 22%. Em 2024, o estado vendeu R$ 9,9 bilhões ao mercado norte-americano; 95% desse montante está sujeito ao novo tarifaço.

Além do desTarifaço, a Fiesc mantém diálogo com sindicatos laborais, elabora estudos econômicos, colabora com o governo estadual em medidas de apoio, aciona o governo federal e mantém contato com autoridades dos EUA, incluindo o cônsul em Porto Alegre e representantes da missão da CNI em Washington.

Com informações de Gazeta do Povo