A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira (28), um requerimento que exige o detalhamento de todas as entradas do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “careca do INSS” — nas dependências da autarquia entre 2019 e 2025.
O pedido foi apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF), durante o segundo dia de trabalhos do colegiado. O parlamentar argumenta que a análise dos registros de acesso é essencial para identificar “nomes, datas e setores” com os quais o investigado manteve contato e, assim, verificar como eventual influência política se converteu em atos administrativos dentro do órgão.
Outros requerimentos aprovados
Além dos dados sobre Antunes, a CPMI autorizou solicitações de informações a diversos órgãos de controle:
- Tribunal de Contas da União (TCU), que auditou o tema no Acórdão 1115/2024;
- Banco Central (BC);
- INSS e Ministério da Previdência Social;
- Caixa Econômica Federal;
- Ministério Público Federal (MPF);
- Federação Brasileira de Bancos (Febraban);
- Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
Suspeitas contra o “careca do INSS”
De acordo com a Polícia Federal (PF), Antunes atuava como intermediário entre associações conveniadas e servidores do INSS, acelerando a assinatura de convênios que permitiam repasses e descontos em folha de beneficiários. Ele teria recebido comissões e oferecido vantagens para manter o fluxo de recursos.
As investigações indicam que o lobista não era servidor de carreira, mas circulava livremente em Brasília, mantendo relacionamento com parlamentares, funcionários públicos e representantes de entidades do setor previdenciário. Essa rede de contatos teria garantido acesso privilegiado a informações e ampliado sua capacidade de intermediação.

Imagem: Jeffers Rudy
O nome de Antunes ganhou destaque após a Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em abril. À época, a defesa do investigado afirmou que as acusações “não correspondem à realidade dos fatos” e que sua inocência será demonstrada ao fim do processo.
A CPMI continuará analisando a documentação solicitada para avaliar eventuais responsabilidades na concessão de vantagens indevidas a associações suspeitas.
Com informações de Gazeta do Povo