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Conselho Eleitoral da Colômbia aponta estouro de gastos na campanha de Gustavo Petro e propõe multas

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Bogotá (26.ago.2025) – Após dois anos de apuração, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Colômbia concluiu que a campanha que elegeu Gustavo Petro à Presidência em 2022 ultrapassou o limite legal de financiamento em mais de 3,5 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 4,7 milhões).

O relatório, elaborado pelos magistrados Álvaro Hernán Prada e Benjamín Ortiz, foi apresentado nesta terça-feira (26) ao plenário do CNE. Para ser aprovado, o parecer precisa do apoio de pelo menos seis dos nove integrantes do órgão.

Propostas de sanção

A documentação de 554 páginas solicita punição administrativa e aplicação de multa solidária de 5,923 bilhões de pesos (aproximadamente R$ 8,1 milhões) ao ex-gerente de campanha Ricardo Roa – atual presidente da estatal petrolífera Ecopetrol – e às responsáveis pelas finanças, Lucy Aydeé Mogollón (tesoureira) e María Lucy Soto (auditora).

O texto também sugere penalidades de 1,167 bilhão de pesos (cerca de R$ 1,5 milhão) para cada um dos partidos Colômbia Humana e União Patriótica, organizações que integram a coalizão governista Pacto Histórico.

Irregularidades apontadas

Segundo o CNE, o montante excedente corresponde a gastos nos dois turnos da eleição de 2022 e a doações proibidas recebidas de pessoas jurídicas. O órgão afirma que valores encaminhados à campanha no primeiro turno, disputado em 29 de maio, não foram declarados. Entre os doadores omitidos estariam a Federação Colombiana de Educadores (Fecode), o partido Polo Democrático Alternativo e a União Sindical Operária (USO).

No segundo turno, realizado em 19 de junho de 2022, a despesa também teria superado o teto estabelecido pela legislação eleitoral colombiana.

Trâmite e defesa

As investigações começaram em fevereiro de 2023, após denúncia anônima. Em outubro de 2024, o CNE formalizou acusações contra a campanha de Petro por excesso de gastos e uso de fontes de financiamento não declaradas.

À época, o presidente classificou a medida como violação de sua imunidade e alegou tentativa de golpe de Estado. Em junho, o Tribunal Constitucional retirou Petro do processo, determinando que qualquer apuração envolvendo o chefe de Estado deve ser conduzida pela Comissão de Acusação da Câmara dos Deputados.

Agora, cabe ao plenário do CNE decidir se aprova as sanções recomendadas no relatório.

Com informações de Gazeta do Povo