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Ucranianas libertadas em troca de prisioneiros denunciam torturas em cárceres russos

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Kiev – Dez dias após a mais recente troca de prisioneiros entre Rússia e Ucrânia, três civis libertadas relataram, nesta segunda-feira (24.ago.2025), agressões físicas, psicológicas e sexuais sofridas durante anos de detenção em instalações controladas por Moscou.

Reunidas em uma conferência na capital ucraniana, Yuliia Panina, Maryna Berezniatska e Svitlana Holovan – todas moradoras da região de Donetsk e presas desde 2019 – descreveram rotinas de humilhações, interrogatórios diários, isolamento e privação de necessidades básicas. O encontro foi organizado por Liudmyla Huseinova, diretora da ONG Numo Sisters e também ex-detenta.

Proibição do idioma ucraniano

Segundo Huseinova, uma das regras impostas pelos carcereiros era a proibição do uso da língua ucraniana. “Fomos obrigadas a falar russo durante todo o cativeiro. Quando saímos, nos perguntamos se conseguiríamos voltar a falar nosso idioma”, afirmou.

A ativista citou ainda abusos físicos, violência sexual, simulações de execução e a ausência de água, comida, medicamentos e itens de higiene. “Nos primeiros meses depois da libertação, a adrenalina mantém a gente de pé. Depois, os problemas físicos e mentais aparecem e dominam”, relatou, cobrando apoio estatal às recém-libertadas.

Relatos pessoais

Svitlana Holovan, operária de uma fábrica de conservas de peixe em Novoazovsk, foi detida por ter familiares em território controlado por Kiev. “Sobrevivemos à tortura, mas a esperança persistiu. Em breve verei meus filhos, que cresceram muito”, disse, emocionada.

Yuliia Panina contou ter sido sequestrada pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) enquanto levava a filha de 13 anos à escola. “Quando cruzamos a fronteira e chegamos à região de Chernihiv, vimos bandeiras ucranianas. As pessoas nos saudavam; foi um alívio enorme”, relatou. Ela lembrou que pelo menos seis mulheres continuam presas no antigo centro cultural Izolyatsia, em Donetsk, transformado em prisão.

Ucranianas libertadas em troca de prisioneiros denunciam torturas em cárceres russos - Imagem do artigo original

Imagem: Bruno Sznajderman via gazetadopovo.com.br

Outra Svitlana Holovan – que trabalhava em um abrigo de animais e foi acusada de colaborar com o serviço secreto ucraniano – afirmou que ainda “digere” a experiência. “O mais terrível foi o sofrimento das nossas famílias durante a espera”, afirmou.

Promessa de responsabilização

Presente ao evento, Viktor Missak, representante do procurador-geral da Ucrânia, garantiu que investigações seguem em curso. “Soldados russos e dirigentes de centros de detenção ilegais estão sendo identificados e acusados à revelia. Um dia eles enfrentarão a Justiça, seja em tribunais ucranianos ou internacionais”, declarou.

A Ucrânia e a Rússia realizaram a troca de prisioneiros em 14 de agosto, libertando dezenas de civis de ambos os lados. As ex-detentas pedem agora tratamento médico, apoio psicológico e ajuda para reintegração social.

Com informações de Gazeta do Povo