O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou, nesta sexta-feira (22), a ideia de autocontenção do Poder Judiciário defendida por seu colega de Corte André Mendonça. Durante o Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, Moraes classificou a proposta como “coisa de ditador” e sustentou que a magistratura deve ser “corajosa e independente”.
“Os ataques podem continuar de dentro ou de fora, pouco importa. O juiz que não resiste à pressão deve mudar de profissão”, afirmou o ministro, em alusão direta a Mendonça, que havia discursado poucas horas antes no mesmo evento. Para Moraes, um Judiciário “vassalo e covarde” comprometeria a democracia.
Embate de discursos
Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abriu espaço para o confronto ao criticar o ativismo judicial e defender “equilíbrio entre os Três Poderes”. Segundo ele, “o bom juiz deve ser reconhecido pelo respeito, e não pelo medo”, e as decisões judiciais precisam promover “paz social, não caos”.
Moraes rebateu dizendo que apenas em regimes autocráticos “o autocrata quer exercer sua liberdade sem limites e não ser responsabilizado”. Para ilustrar, citou Adolf Hitler e recordou que, em ditaduras, a imprensa é calada e milhares de juízes e promotores são afastados, mencionando o caso da Hungria.
Contexto político
Relator da ação penal que apura suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro, Moraes prometeu responsabilização para “todos os que atentaram contra a democracia”. Ele criticou o argumento de que o Judiciário deveria “se autoconter” para evitar turbulências, classificando essa posição como inviável em regimes democráticos.

Imagem: Ton Molina via gazetadopovo.com.br
O confronto de posições ocorre em meio a forte polarização política. Moraes reconheceu problemas sociais e econômicos do país, mas afirmou que “impunidade, omissão e covardia nunca deram certo” em nenhuma nação.
O Fórum Empresarial Lide reuniu empresários, autoridades e magistrados no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, 22 de agosto de 2025.
Com informações de Gazeta do Povo