Campo Grande (MS) – Em 2013, a então estudante de 30 anos Gabriela Schell escapou da morte após ter 60% do corpo queimado durante um acidente doméstico envolvendo gasolina.
Gabriela ajudava o ex-namorado a lavar uma moto na varanda da casa, quando ele decidiu drenar o combustível do tanque para um balde e, em seguida, para o chão, a fim de verificar se havia água misturada. Ao acender um isqueiro sobre o líquido, as chamas se espalharam rapidamente, alcançando o casal. “Só vi o fogo vindo nas minhas pernas”, relatou a sobrevivente.
O rapaz rolou na rua até apagar o fogo; já Gabriela, em pânico, correu para dentro de casa enquanto as chamas subiam por mãos, braços, pescoço e rosto. A sogra dela conseguiu conter o incêndio em segundos, suficientes para que a jovem fosse socorrida sem sentir dor imediata.
Internações e cirurgias
Transferida para um hospital em Campo Grande, Gabriela passou três vezes pelo Centro de Terapia Intensiva (CTI) e enfrentou inúmeras cirurgias de enxerto de pele. Queimaduras de terceiro grau do joelho para baixo exigiram um longo período de recuperação, no qual precisou reaprender a andar após quatro meses de mobilidade restrita à cama.
“Meu corpo rejeitava a própria pele”, recordou. A perna mais atingida provocava dores, coceira e vertigens sempre que permanecia em pé por mais de um minuto.
Recomeço acadêmico e profissional
Mesmo em tratamento, Gabriela concluiu a graduação em Educação Física e, em 2021, lançou um livro com seu testemunho. A obra busca incentivar pessoas que enfrentam situações semelhantes.

Imagem: guiame.com.br
Além da publicação, ela passou a visitar alas de queimados em hospitais, oferecendo apoio emocional a pacientes e familiares. Neste ano, recebeu a mensagem de uma mulher cujo irmão, queimado em 60% do corpo, não resistiu às lesões. “Isso reforçou minha certeza de que cada segundo da minha sobrevivência tem um propósito”, afirmou.
Vida atual
Casada, mãe de dois filhos e empreendedora, Gabriela mantém a rotina de palestras e visitas a unidades de saúde. “Minha missão é mostrar que é possível recomeçar, independentemente da dor que se enfrenta”, declarou em publicação nas redes sociais.
Com informações de Guiame