A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira, 20 de agosto de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suposta tentativa de obstrução de Justiça no inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado. No mesmo procedimento, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão contra o pastor Silas Malafaia após a chegada dele ao Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
O indiciamento foi formalizado no relatório final da PF sobre a atuação de Eduardo nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Os delegados atribuem aos dois investigados os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Relator do caso no Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR). O relatório de 170 páginas descreve a localização, no celular de Bolsonaro, de um arquivo em formato .docx editado dois dias após a Operação Tempus Veritatis, em fevereiro de 2024, com um esboço de pedido de asilo ao presidente argentino Javier Milei. Para a PF, o conteúdo indica planejamento de fuga para evitar a aplicação da lei penal.
Os investigadores afirmam que Bolsonaro violou reiteradamente a proibição de usar redes sociais, ativando um novo aparelho após a apreensão do anterior e intensificando a divulgação de mensagens. De acordo com o relatório, Malafaia orientava o ex-presidente a distribuir vídeos por meio de listas de transmissão, incentivando o descumprimento das medidas cautelares e alertando sobre “próxima retaliação” contra ministros do STF e suas famílias.
A Polícia Federal identificou quatro listas de transmissão no WhatsApp — “Deputados”, “Senadores”, “Outros” e “Outros 2” — utilizadas para disparar conteúdos, inclusive um vídeo que previa “consequências extremas” caso o país desafiasse sanções da Lei Magnitsky. Há registros de que Bolsonaro recorreu a contas de terceiros para publicar mensagens e chegou a orientar o deputado Capitão Alden (PL-BA) sobre como expor sua imagem sem falar diretamente.
O documento também aponta contato frequente entre Bolsonaro e o ex-ministro Walter Braga Netto, preso desde dezembro de 2024, em aparente violação da proibição de comunicação imposta pela Tempus Veritatis.

Imagem: Ton Molina via gazetadopovo.com.br
Em outra frente, a PF recolheu conversas entre Bolsonaro e o advogado Martin de Luca, representante da Trump Media & Technology Group e da plataforma Rumble. De Luca teria enviado ao ex-presidente a íntegra de uma ação movida nos Estados Unidos contra Moraes no mesmo dia em que o processo foi protocolado. Uma versão traduzida do documento foi encontrada sobre a mesa de trabalho de Bolsonaro. Os delegados sustentam que o ex-mandatário pediu orientação ao advogado para publicar nota em suas redes sociais, o que demonstraria tentativa de coagir o Supremo.
O caso segue agora para análise da PGR, que decidirá se oferece ou não denúncia ao STF.
Com informações de Gazeta do Povo