Brasília — A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofreu dois reveses consecutivos na manhã desta quarta-feira (20). Durante a sessão de instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS, parlamentares elegeram o senador oposicionista Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência do colegiado e, logo em seguida, retiraram do governo a relatoria, agora sob responsabilidade do deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Viana venceu o senador Omar Aziz (PSD-AM) — nome sugerido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) — por 17 votos a 14, em votação secreta realizada em cabines. A eleição contrariou acordo costurado pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, que haviam indicado Aziz para presidir a CPMI e o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para relatar os trabalhos.
Assim que assumiu, o novo presidente anulou a escolha de Ayres e nomeou Alfredo Gaspar para a relatoria, justificando a troca pela necessidade de “um nome técnico, com experiência no Ministério Público e conhecimento das leis”.
Reações no plenário
A derrota foi reconhecida por Omar Aziz, que não contestou o resultado. Já Viana defendeu que a comissão avance sem “armadilhas políticas ou ideológicas” e prometeu responsabilizar envolvidos no desvio de recursos de aposentados e pensionistas. “Nosso objetivo é esclarecer o que ocorreu e evitar que episódios tão vergonhosos se repitam”, disse.
Líder da oposição na Câmara, o deputado Luciano Zucco (PL-RS) comemorou a mudança de comando e declarou que “nada será abafado”. Segundo ele, não haverá “blindagem a sindicatos, amigos ou familiares de Lula”.

Imagem: Waldemir Barreto via gazetadopovo.com.br
Composição e prazo
A CPMI é formada por 32 titulares, com PT e PL ocupando quatro cadeiras cada um. O colegiado tem prazo inicial de seis meses, prorrogável, para concluir os trabalhos.
Ressarcimento a vítimas da fraude
Até este mês, 1,64 milhão de aposentados e pensionistas — 98,5% dos atingidos — aceitaram acordos de ressarcimento após as fraudes no INSS. Mais de 2 milhões de beneficiários estão habilitados a aderir ao programa.
Com informações de Gazeta do Povo