A mais recente rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (20), revela que 69% dos brasileiros acreditam que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atua nos Estados Unidos em benefício próprio e de sua família, e não do país. Outros 23% entendem que o parlamentar age em favor do Brasil, enquanto 8% não souberam ou preferiram não responder.
Viagem aos EUA e sanções propostas
Eduardo Bolsonaro está em território norte-americano desde março, onde tenta articular junto a autoridades locais a adoção de punições contra o Brasil em razão do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as medidas defendidas estão:
- tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA;
- cancelamento de vistos de integrantes do governo federal e de ministros do STF;
- aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes.
Percepção por perfil político
A avaliação de que o deputado age por interesses familiares é majoritária entre eleitores:
- lulistas – 92%;
- de esquerda – 95%;
- sem posicionamento ideológico declarado – 78%.
Já entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 29% enxergam motivação familiar, e 65% acreditam que Eduardo defende os interesses do país. No grupo que se identifica como de direita, 44% apontam atuação pessoal e 48% veem defesa dos interesses nacionais.
Inelegibilidade de Bolsonaro
O levantamento mostra crescimento na parcela que crê na possibilidade de as articulações nos EUA reverterem a inelegibilidade de Jair Bolsonaro: passou de 31% em julho para 36% em agosto. Os que não acreditam nessa hipótese caíram de 59% para 55% no mesmo período.
Tarifaço de Trump
A Quaest também mediu a opinião sobre a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de sobretaxar produtos brasileiros em 50%. Para 21%, a medida é “certa”; 71% consideram “errada”. Entre eleitores pró-Bolsonaro, entretanto, 54% apoiam o tarifaço.
Sobre as motivações atribuídas a Trump:

Imagem: Bruno Spada via gazetadopovo.com.br
- interesses políticos – 51%;
- interesses comerciais – 23%;
- motivos pessoais – 2%;
- outros – 2%.
Impacto econômico e resposta do governo
Segundo 77% dos entrevistados, o tarifaço afetará a vida da população; 20% não veem impacto. Para 64%, os preços dos alimentos devem subir; 18% preveem queda e 13% estabilidade.
Diante das sanções, 67% defendem que o Brasil negocie com os EUA, enquanto 26% preferem retaliação mediante taxação de produtos norte-americanos.
A pesquisa indica ainda que 48% avaliam como corretas as iniciativas do governo Lula e do PT em buscar um acordo, e 28% percebem atuação mais forte do grupo de Jair Bolsonaro. Além disso, 48% acreditam que o presidente Lula conseguirá chegar a um entendimento; 45% pensam o contrário. Para 49%, o chefe do Executivo age em defesa do país, enquanto 41% veem intenção de autopromoção.
Metodologia
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas em 120 municípios entre 13 e 17 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Com informações de Gazeta do Povo