As seções eleitorais da Bolívia fecharam às 16h deste domingo (17), pelo horário local — 17h em Brasília —, concluindo o primeiro turno das eleições gerais de 2025. O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) informou que a divulgação dos resultados preliminares começará a partir das 21h em La Paz (22h em Brasília), enquanto a apuração completa deve ser finalizada em até 72 horas.
O dia de votação foi marcado por uma explosão nas proximidades do centro onde votou o candidato de esquerda Andrónico Rodríguez, mas o presidente do TSE, Óscar Hassenteufel, classificou o processo como “positivo”. Em coletiva, ele destacou que 100% das 34.026 mesas instaladas nos nove departamentos funcionaram normalmente.
Regra para vitória em primeiro turno
Pelas normas eleitorais bolivianas, um postulante pode ser eleito já nesta etapa se obtiver mais de 50% dos votos válidos ou, alternativamente, pelo menos 40% com vantagem mínima de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Candidatos na disputa
Oito nomes concorrem à Presidência:
- Samuel Doria Medina (Frente de Unidade Nacional)
- Jorge “Tuto” Quiroga (Libre)
- Andrónico Rodríguez (Aliança Popular)
- Eduardo del Castillo (Movimento ao Socialismo)
- Jhonny Fernández (Aliança Força Popular)
- Manfred Reyes Villa (APB-Súmate)
- Rodrigo Paz Pereira (Partido Democrata Cristão)
- Pavel Aracena (Ação Democrática Nacionalista)
Pesquisas recentes indicam a possibilidade de um segundo turno entre os candidatos de direita Samuel Doria Medina e Jorge “Tuto” Quiroga, agendado para 19 de outubro caso nenhum concorrente alcance a margem necessária já neste domingo.
Mudanças no cenário político
O governista Movimento ao Socialismo (MAS), que controla o Palácio Quemado quase ininterruptamente desde 2006 — com exceção do mandato interino de Jeanine Áñez entre 2019 e 2020 —, chega à eleição sob o risco de perder sua hegemonia. Conflitos internos opõem o atual presidente, Luis Arce, ao ex-mandatário Evo Morales, ambos disputando o protagonismo dentro da legenda.

Imagem: Rodrigo Sura via gazetadopovo.com.br
Nos últimos anos, o partido enfrentou batalhas judiciais, acusações de traição, protestos de rua e, em junho de 2024, uma mobilização militar cujos contornos ainda geram controvérsia, sendo interpretada por setores moralesistas e pela oposição como possível tentativa de autogolpe.
A contagem oficial nas próximas 72 horas definirá se a Bolívia terá presidente eleito no primeiro turno ou se os eleitores voltarão às urnas em outubro.
Com informações de Gazeta do Povo