O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder russo Vladimir Putin têm encontro marcado para esta sexta-feira (15), às 11h30 no horário local (16h30 de Brasília), na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, no Alasca. A reunião foi anunciada como uma “sessão de reconhecimento” pela Casa Branca e terá como foco principal a guerra iniciada pela Rússia contra a Ucrânia em 2022.
Local estratégico
A escolha do Alasca carrega forte peso simbólico e estratégico. O estado, vendido pelo Império Russo aos EUA em 1867, fica a apenas 88 quilômetros da Rússia no ponto mais próximo e abriga radares do sistema de defesa aeroespacial norte-americano. Além disso, a região ganhou importância geopolítica com a abertura gradual da rota marítima do Estreito de Bering e pela abundância de petróleo, gás natural e minerais críticos para a segurança energética dos EUA.
Propostas sobre a mesa
Agências internacionais informam que Putin deverá apresentar um plano de paz que inclui a anexação formal de cinco áreas ocupadas: Crimeia (anexada em 2014) e as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeita qualquer cessão territorial, posição que recebe apoio público de líderes europeus como Emmanuel Macron (França), Giorgia Meloni (Itália), Keir Starmer (Reino Unido) e Friedrich Merz (Alemanha). Apesar disso, Trump sinalizou recentemente disposição para debater trocas de território se isso encerrar o conflito.
A ausência de Zelensky no Alasca preocupa a União Europeia. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, declarou à emissora CNBC que o Kremlin busca apenas uma vitória de imagem e a postergação das sanções ocidentais.
Cenário de negociações
Análise do Council on Foreign Relations (CFR) aponta que o encontro deve produzir, no máximo, um esboço de princípios para futuras negociações, sem resolver de imediato as questões de soberania e segurança da Ucrânia. “Pode surgir um roteiro inicial, mas sem mudar a posição de Putin”, avaliou Thomas Graham, especialista em Rússia na entidade.
Na quarta-feira (13), em videoconferência com Zelensky, OTAN e líderes europeus, Trump afirmou que buscará um cessar-fogo como prioridade no diálogo com Putin. O senador democrata Richard Blumenthal declarou que, se o presidente insistir em garantias de segurança e mantiver a participação europeia, poderá alcançar um acordo digno de indicação ao Prêmio Nobel da Paz. Após a reunião virtual, Macron disse que Trump reiterou que apenas o governo ucraniano pode negociar seus territórios.

Imagem: John Lucas via gazetadopovo.com.br
Pressão econômica
Trump já advertiu que “consequências muito severas” aguardam Moscou caso não haja avanço rumo a um cessar-fogo. Entre as medidas cogitadas estão uma tarifa de 100% sobre importações russas e tarifas secundárias do mesmo patamar contra países que continuarem comprando produtos de Moscou. A Casa Branca iniciou pressão sobre a Índia e poderia estender a política a parceiros como Brasil e China. Especialistas veem o setor de energia como alvo principal: “Petróleo e gás são o sangue vital da economia russa”, lembrou Heidi Crebo-Rediker, do CFR.
A Rússia enfrenta queda de receitas com energia, redução das exportações para a Europa e enfraquecimento de estatais como a Gazprom. Mesmo assim, o Kremlin ainda aposta no desgaste militar da Ucrânia e na possível fissura da unidade ocidental antes que as sanções atinjam seu ponto máximo.
O encontro desta sexta-feira definirá se Trump e Putin conseguirão estabelecer bases para negociações mais amplas ou se novas sanções serão anunciadas nas próximas semanas.
Com informações de Gazeta do Povo