O senador Marcos do Val (Podemos-ES) rejeitou a sugestão de se licenciar do mandato por seis meses, possibilidade articulada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como forma de reduzir as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo líderes partidários, o plano previa que a Advocacia-Geral do Senado pedisse ao STF a flexibilização das medidas cautelares — que incluem congelamento de salário e uso de tornozeleira eletrônica — em troca do afastamento “discreto” de do Val. A proposta foi apresentada por Alcolumbre ao colégio de líderes na semana passada.
Dirigentes de diferentes bancadas classificaram a alternativa como uma “saída honrosa”. Ainda conforme esses parlamentares, o líder do Podemos, senador Carlos Viana, procurou do Val para convencê-lo a aderir ao acordo. O capixaba, porém, recusou: “Não! Eu não cometi nenhum crime. E não negocio com bandido”, afirmou, em referência a Moraes.
Com a recusa, a condução das conversas ficou a cargo do procurador do Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), que deverá se reunir novamente com Alcolumbre para definir os próximos passos.
Diante do impasse, Alcolumbre estuda reativar o Conselho de Ética, parado há mais de um ano e sem comando. Em reunião com líderes, ele solicitou indicações para preencher as 15 vagas titulares e 15 suplentes do colegiado, responsável por analisar eventuais quebras de decoro parlamentar.
Marcos do Val é alvo de inquérito no STF por divulgar imagens de delegados da Polícia Federal que investigam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados. Em julho, o senador descumpriu decisão judicial ao viajar aos Estados Unidos com passaporte diplomático. Na volta, foi alvo de operação da PF, passou a usar tornozeleira eletrônica e teve o acesso às redes sociais bloqueado.
Com informações de Direita Online